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	<title>Noite finita</title>
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		<title>Noite finita</title>
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		<title>As cores da Pátria</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2012 18:31:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jacob Galon</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Olá, ghost readers! De volta das maravilhosas férias, durante as quais tive um vislumbre de como seria se pudesse viver exclusivamente dos textos e da leitura (utopia de muitos aventureiros das letras neste país), é hora de retomar as atividades. Dentre elas, postar algo neste movimentadíssimo blog. Para hoje, um conto cuja ideia surgiu ainda [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=307&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, <em>ghost readers</em>!</p>
<p>De volta das maravilhosas férias, durante as quais tive um vislumbre de como seria se pudesse viver exclusivamente dos textos e da leitura (utopia de muitos aventureiros das letras neste país), é hora de retomar as atividades. Dentre elas, postar algo neste movimentadíssimo blog.</p>
<p>Para hoje, um conto cuja ideia surgiu ainda antes que eu saísse de férias, mas que só começou a ser escrito há alguns dias. A despeito do que possa parecer, trata-se de um texto que me exigiu certo empenho; na verdade, provavelmente foi o texto no qual mais dispensei tempo trabalhando desde que comecei a arriscar algumas linhas. É um experimento, e por isso está longe de ter sido definitivamente terminado. É certo que ainda devo trabalhar muito nele até uma próxima eventual publicação (não virtual). Por ora, posto aqui sua primeira versão, com o único intuito de não deixar o blog mais uma vez jogado às traças — elas são perigosas; quando se percebe, os buracos já são grandes demais para serem restaurados. A propósito, como obviamente já notaram, o blog está de cara nova, com letras maiores para facilitar a leitura. Um ótimo fim de semana a todos!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>As cores da Pátria</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O som dos gritos da torcida ecoava. A partida estava para começar. As bandeiras agitavam-se, a multidão bradava coros em uníssono. Então eles começaram a entrar em campo, em fila, de mãos dadas, e os olhos de Tiago brilhavam enquanto acompanhava tudo isso diante da imagem pálida da pequena TV a cores que jazia sobre uma estantezinha simples toda enferrujada, que por sua vez ocupava quase um terço do espaço da salinha da humilde casa de madeira, um cubículo com não mais que três cômodos no qual viviam Tiago e seus pais, numa inoportuna área de periferia próxima ao centro da grande cidade.</p>
<p>&nbsp;<br />
— Tiago, abaixa essa televisão! Não precisa deixar tão alto! — a mãe berrou da cozinha, o cômodo ao lado.</p>
<p>&nbsp;<br />
— Tá bom&#8230; — ele respondeu, sem desviar os olhos da tela, enquanto apertava o botão para abaixar o volume.</p>
<p>&nbsp;<br />
O pai já devia estar chegando e provavelmente também iria querer acompanhar o jogo, e então ele aumentaria o volume novamente. Tiago gostava de deixá-lo bem alto, porque assim sentia como se estivesse lá dentro do estádio, vibrando com a torcida a cada lance. Nunca tinha ido a um estádio, muito menos para ver um jogo da seleção. Os ingressos eram muito caros, o pai dizia, não podiam se dar ao luxo de gastar tanto por tão pouco. Mas não era pouco, mas o pai não entendia. Não.</p>
<p>&nbsp;<br />
Estavam cantando o hino agora e Tiago cantava junto com orgulho e com a mão em cima do coração.</p>
<p>&nbsp;<br />
Bateram na porta. Não era hora de visitas, mas a mãe mandou que ele fosse abrir a porta, pois estava trancada, e ele foi. Era o pai, todo esbaforido e um pouco pálido. Ele entrou rápido e foi até a esposa e a abraçou; os olhos, tristes&#8230; Então mandou Tiago guardar suas coisas na mochila o mais rápido que pudesse. Tiago não entendeu, mas fez o que o pai tinha lhe pedido. Colocou na mochila os dois carrinhos, a roupa de dormir e o mais importante, a camisa velha da seleção, as cores da Pátria como dizia o Tio Guto.</p>
<p>&nbsp;<br />
De repente, a porta se abriu num estrondo e quase caiu, ficou pendurada só por uma dobradiça. Dois guardas entraram na casa com cassetetes nas mãos e com caras não muito boas. Eles pareciam zangados, e estavam.</p>
<p>&nbsp;<br />
— Vamo, tá na hora de se mandarem daqui! Vamo, vamo, vamo, que a gente tem pressa! — um dos guardas disse, batendo com o cassetete na parede.</p>
<p>&nbsp;<br />
— Espera, a gente só tá terminando de pegar umas coisas&#8230;</p>
<p>&nbsp;<br />
O pai não conseguiu terminar de falar, pois o guarda acertou a cabeça dele com o cassetete e gritou:</p>
<p>&nbsp;<br />
— Cala a boca! Ninguém te perguntou nada, só tamo mandando sair. E é pra ontem! Vamo, antes que eu perca minha paciência!</p>
<p>&nbsp;<br />
O pai ficou com a mão na cabeça por um tempo, mas logo puxou a mãe e Tiago pelo braço para saírem da casa. A mãe estava chorando. Tiago ficou olhando para a televisão; ela continuava ligada, a tela mostrando o jogo que finalmente tinha começado. Não deviam desligá-la antes de sair? O guarda bateu com o cassetete na TV e ela caiu da estantinha. Caiu no chão e a tela quebrou, e Tiago viu uma faísca lá dentro. Por que tinham que sair daquele jeito? Por que os guardas estavam tão bravos? Por que queriam que eles saíssem da casa? Por que tinham quebrado a televisão? Por que tinham batido no pai?</p>
<p>&nbsp;<br />
— Tá doendo, pai? — Tiago perguntou, vendo o pai colocar a mão na cabeça vez ou outra enquanto andavam rápido para longe da casa.</p>
<p>&nbsp;<br />
— Só um pouco, filho. Só um pouco&#8230;</p>
<p>&nbsp;<br />
Tiago achou que estava. Se tivessem batido na cabeça dele daquele jeito, ele com certeza estaria chorando até agora. Tinha outros guardas nas outras casas também, gritando e colocando os vizinhos para fora delas a pontapés e cassetetes. Tinha mulheres e outras crianças chorando quando Tiago e seus pais andavam pela rua onde moravam. Tinha um homem, o Seu Paulo, um velhinho que morava quase lá no finzinho da rua, com a cabeça machucada e escorrendo sangue. A camisa dele estava suja de sangue e de terra e o sangue pingava até no chão.</p>
<p>&nbsp;<br />
Por sorte o Tio Guto tinha espaço na casa dele e então eles poderiam ficar lá pelo menos por um tempo. Isso porque não podiam mais voltar para a casa, o pai disse. Nunca mais. Tiago não sabia por que, mas decidiu que não ia perguntar. Sentiria saudade da casa e da televisão onde assistia os jogos.</p>
<p>&nbsp;<br />
O tempo foi passando, passando&#8230; Alguns meses passaram, mas Tiago não esqueceu da casa. Queria voltar lá e ver ela, um pouquinho que fosse, e se pudesse, entrar nela de novo. É claro que o pai não deixava. Por isso, certo dia Tiago resolveu que ia escondido. Era dia de jogo, a seleção estava na cidade, iam inaugurar o novo estádio. Tiago já sabia que não poderia ir ao jogo, mas aproveitaria a agitação para sair e voltar sem que os pais e os tios percebessem. Era fácil, só precisava ter cuidado.</p>
<p>&nbsp;<br />
Pegou a bicicleta que era do primo e foi. Conhecia muito bem o caminho, não podia ter esquecido, não assim tão fácil. Na rua um amontoado de pessoas, todas com as cores da Pátria, com cornetas e com bandeiras, e com perucas coloridas também, todas na direção do velho bairro, da velha casa. Tiago não sabia por que as pessoas estavam indo para lá, mas não se importava com isso, pois só o que queria era ver a casa.</p>
<p>&nbsp;<br />
Seguiu com a bicicleta devagar e quando já estava próximo levou um susto. A vila não existia mais. No lugar dela um conjunto de prédios, um shopping enorme e um estádio maior ainda. Desceu da bicicleta perto de uma das entradas do estádio (ela ficava bem onde antes morava o Seu Paulo) e ficou olhando boquiaberto para aquela construção gigante. A casa também não existia mais. A casa ficava onde agora devia ser o círculo central do campo de futebol, bem no meio. É claro que ela não estava mais lá, mas Tiago queria ao menos chegar o mais perto que pudesse de onde um dia a casa tinha existido. Puxando a bicicleta devagarinho, ele foi para perto do portão de entrada. Estava cheio de pessoas passando por ali e elas tinham bandeiras, cornetas e perucas coloridas com as cores da Pátria, e tinha alguns guardas também, parados do lado das roletas. Um dos guardas parou Tiago quando ele se aproximava com a bicicleta.</p>
<p>&nbsp;<br />
— Ei, moleque! Cê tem ingresso? — o guarda perguntou.</p>
<p>&nbsp;<br />
Tiago balançou a cabeça.</p>
<p>&nbsp;<br />
— Então não pode entrar. Dá o fora daqui. — o guarda mandou e Tiago obedeceu, porque não queria que batessem na sua cabeça como tinham batido na do pai, ou como tinham batido no Seu Paulo.</p>
<p>&nbsp;<br />
Saiu arrastando a bicicleta ainda mais devagar. Parou na beira da rua e olhou para trás, para o estádio. As pessoas já estavam cantando lá dentro, todas animadas. Logo a seleção iria entrar em campo. Tiago deu as costas e montou na bicicleta, e seguiu seu rumo de volta para a casa do Tio Guto.</p>
<p>&nbsp;<br />
Ele estava já a algumas quadras do estádio, mas ainda pôde ouvir o hino nacional tocando e a torcida cantando em coro. A canção da Pátria. E as cores também.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/derkleyndiner.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/derkleyndiner.wordpress.com/307/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/derkleyndiner.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/derkleyndiner.wordpress.com/307/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/derkleyndiner.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/derkleyndiner.wordpress.com/307/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/derkleyndiner.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/derkleyndiner.wordpress.com/307/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/derkleyndiner.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/derkleyndiner.wordpress.com/307/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/derkleyndiner.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/derkleyndiner.wordpress.com/307/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/derkleyndiner.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/derkleyndiner.wordpress.com/307/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=307&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Frida</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Dec 2011 18:45:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jacob Galon</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Olá, ghost readers! Sim, estou vivo – e bem! –, por incrível que pareça. A ausência, desta vez (ou novamente; como preferirem), se deve mais ao fato de não ter tempo – e força – suficiente(s) pra me dedicar à complexamente simples tarefa de escrever. As ideias estão lá, pululando em minha mente, agitadiças. Faltam-me [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=303&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, <em>ghost readers</em>! Sim, estou vivo – e bem! –, por incrível que pareça. A ausência, desta vez (ou <em>novamente</em>; como preferirem), se deve mais ao fato de não ter tempo – e força – suficiente(s) pra me dedicar à complexamente simples tarefa de escrever. As ideias estão lá, pululando em minha mente, agitadiças. Faltam-me algumas horas a mais pra me sentar, colocá-las no papel (seja o real ou o virtual) e, principalmente, trabalhá-las. Uma pena.</p>
<p>Ainda assim, uma das ideias pululantes tanto cresceu que acabou forçando minha cachola a colocá-la pra fora. O que foi bom, afinal, aqui estou, movimentando o Noite Finita novamente, após dois meses de glacial inércia.</p>
<p>Enfim, sem mais delongas, vamos ao texto. Desejo a todos um ótimo dezembro. E um excelente 2012, caso eu não <em>consiga</em> voltar aqui antes da virada do ano. Aos afortunados, como eu, boas férias. Divirtam-se, crianças! <img src='http://s1.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Frida</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Era um pedaço de papel levemente amassado. Em um poste de concreto um tanto encardido. E estava bem na quadra do shopping. Na avenida principal. “Isso certamente quer dizer algo”, ele concluiu. Queria. Em letras garrafais, pretas, contrastando com o fundo branco, as seguintes palavras:</p>
<p>“FAÇO TEU AMOR CAIR AOS TEUS PÉS</p>
<p>EM ATÉ SETE DIAS</p>
<p>LIGA ME AGORA, FONE 9999-6669”</p>
<p>Sim, era disso mesmo que precisava. Como não vira antes? Por certo fora colocado ali naquele dia. O importante era que não podia perder aquela oportunidade, que talvez fosse única. Frida. Fridinha. Fridosa. Zigfrida, a mulher da sua vida, como gostava de dizer. A rima, então, digna de um verdadeiro poeta apaixonado.</p>
<p>Namorava o papel diante de seus olhos como se ele fosse a própria amada. O tique-taque do relógio de pulso que lhe cobria quase todo o antebraço. Os motoristas rasgando a avenida com seus carros, ávidos por chegarem às suas casas após um cansativo dia de trabalho. Um som agudo, estridente. Não eram sinos. Buzina. Uma pancada às costas. Um ciclista apressado e sem freio. E Souza caiu. Caiu de amores por Frida.</p>
<p>Foi parar no posto médico. Nada sério. Um arranhão aqui, outro ali. Frida não foi visitá-lo. Nem no posto, nem em casa. Não seria assim para sempre. Por sorte, namorara tanto o pedaço de papel no poste que se lembrava perfeitamente do número. Memória fotográfica. Tirou o fone do gancho e discou. Três toques. Quatro. Sorriu olhando para a imagem no porta-retratos de plástico colocado sobre a escrivaninha, que o mostrava aos pés do Cristo Redentor. Súbito, uma voz encorpada, feminina, do outro lado da linha.</p>
<p>– Madamme Zorahydeh Serviços Esotéricos, boa noite.</p>
<p>Trêmulo, agendou a consulta para o dia seguinte. Nunca pensara que teria de apelar a algo assim. Mas para quem havia comprado um diploma técnico em design gráfico, aquilo não era nada. Foi se deitar pensando em Frida. Sua Fridoca&#8230; Quem sabe já não estivesse na companhia dela na próxima noite?</p>
<p>Saiu do trabalho com pressa, alguns minutos mais cedo, para garantir que não chegaria atrasado ao endereço informado pela mulher. Felizmente não era tão longe. Uma casa comum, de madeira, com um jardinzinho na frente adornado com estatuetas de duendes e afins. Tocou a campainha estridente. Uma moça magricela abriu a porta e, sem colocar os pés para fora, pôs-se a encará-lo, esperando que dissesse algo.</p>
<p>– Por favor, a Madame Zoraide se encontra? Eu&#8230; marquei uma consulta pra esse horário.</p>
<p>A moça arqueou a sobrancelha esquerda. Escancarou a porta e deu dois passos à frente, sinalizando para que Souza abrisse o portão e entrasse.</p>
<p>– É <em>Madamme Zorahydeh</em>, rapaz. E falas com a própria. – ela respondeu, a mesma voz forte que ele ouvira ao telefone na noite anterior.</p>
<p>Resignado, entrou. A sala da casa era o consultório, iluminado por uma fraca lâmpada e com todas as janelas fechadas. Uma mesa redonda ao centro, coberta por uma toalha vermelha de seda. Sobre ela, uma suposta bola de cristal e cartas de tarô. Pendendo do teto aqui e ali, penduricalhos com motivos astrológicos. À direita, uma estante na qual jaziam um aparelho de telefone que um dia devia ter sido branco e uma TV de 20 polegadas. À esquerda, quase colado à mesa, um sofá com alguns furos no tecido verde com flores amarelas. Nele, jogada a um canto, uma rechonchuda almofada em forma de coração, toda em pelúcia vermelha, com um quase imperceptível rasgo do lado esquerdo. Oh, Frida&#8230;</p>
<p>– E então? – a mulher grunhiu, impaciente, já sentada a seu lado da mesa. Sobre a bola de cristal, as mãos, cujas unhas, compridíssimas, estavam pintadas em um vermelho escarlate já em parte descascado.</p>
<p>Souza sentou-se. Precisava se fazer claro. Não estava ali para perder tempo. Queria algo potente e que funcionasse de pronto.</p>
<p>– Uma mulher. Ela nem me dá bola, entende?</p>
<p>– O nome dela&#8230;? – ela pegou uma folha de papel amarrotada e uma caneta Bic azul.</p>
<p>– Frida. Zigfrida. Minha Fridegosa&#8230;</p>
<p>Ignorou o olhar da mulher. Não importava o que os outros achassem dele. Só queria Frida.</p>
<p>– Ela é daqui mesmo? – perguntava e anotava as respostas de Souza no papel.</p>
<p>– É. Quer dizer, ela mora aqui. Mas é carioca.</p>
<p>– Conheceste ela lá?</p>
<p>– Não, aqui mesmo. Nunca fui pro Rio.</p>
<p>– Certo&#8230;</p>
<p>Madamme Zorahydeh terminou de escrever e voltou a encarar Souza, desta vez com um olhar hipnotizante. E assim ficou por alguns segundos. Ele, calado. Inebriado, talvez, com o aroma híbrido de madeira velha e incenso.</p>
<p>– Vejo que ela tem alguém <em>próximo</em>. – ela enfim prosseguiu, num tom enigmático – É casada?</p>
<p>– Não. Também não tem namorado. Mas tem um pretendente.</p>
<p>– Huum&#8230; Qual o nome?</p>
<p>– Adalberto.</p>
<p>Ela anotou o nome no canto inferior da folha. Depois, num gesto rústico, quase místico, rasgou com as mãos a parte na qual escrevera o nome, destacando-a. Levantou-se e caminhou até a estante, abrindo uma das gavetas no centro do móvel e retirando de lá um frasco com um líquido de um rubro tão forte que se destacava à meia-luz. Tomou o pedaço de papel com o nome de Adalberto e o colou com fita adesiva embaixo do frasco.</p>
<p>– Eis a solução para o teu problema. Poção do amor de Madamme Zorahydeh.</p>
<p>Souza tomou o frasco da mão da mulher e o analisou. Parecia mesmo uma poção do amor. Abriu a tampa para sentir o suave aroma. O odor de vinagre, enxofre e bicho morto logo irritou suas delicadas narinas.</p>
<p>– Argh! Do que isso é feito? A Fridoquinha vai ter que beber?</p>
<p>– É o ideal. Quanto a minhas fórmulas, não cabe a ti conhecer. Apenas faz o que te digo: põe o frasco na mesa dela sem que ela te veja e não retira o nome do teu rival do fundo do frasco. Se ela achar que é perfume e passar um bocado no pescoço, já funciona.</p>
<p>Ele meneou a cabeça e guardou o frasco cuidadosamente na mala. Estava satisfeito. Já dava a vitória como certa. A mulher o encarou novamente com a expressão de impaciência.</p>
<p>– São 250 contos, rapaz. Cinquenta pela consulta, duzentos pela poção.</p>
<p>– Tudo isso? – Souza arregalou os olhos.</p>
<p>Ela levantou os ombros. Era a crise, o que se podia fazer.</p>
<p>– Se quiseres posso te vender só meia poção, por 120. Mas aí já não garanto que dê resultado&#8230;</p>
<p>– Não, não, eu pago os 250. Pago qualquer valor pelo amor da Fridazinha&#8230;</p>
<p>Sacou a carteira e pagou à vista, com gosto. Era um investimento. E que investimento. Levou também o coração de pelúcia, por mais cinquenta contos. Frideca iria adorar ganhar aquilo quando enfim fosse sua. Seria a cereja do topo. Então viveriam uma vida de aventuras e de muita paixão; seriam felizes para sempre. Ou ao menos até que o desquite os separasse. Por via das dúvidas, manteria bem guardado na carteira o contato do Dr. Orlando, seu advogado, o mesmo que providenciara o diploma.</p>
<p>Desfrutar do presente, porém. O futuro, que ficasse para depois. À noite, Frida estaria lá esperando por ele&#8230;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/derkleyndiner.wordpress.com/303/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/derkleyndiner.wordpress.com/303/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/derkleyndiner.wordpress.com/303/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/derkleyndiner.wordpress.com/303/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/derkleyndiner.wordpress.com/303/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/derkleyndiner.wordpress.com/303/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/derkleyndiner.wordpress.com/303/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/derkleyndiner.wordpress.com/303/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/derkleyndiner.wordpress.com/303/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/derkleyndiner.wordpress.com/303/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/derkleyndiner.wordpress.com/303/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/derkleyndiner.wordpress.com/303/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/derkleyndiner.wordpress.com/303/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/derkleyndiner.wordpress.com/303/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=303&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<pubDate>Fri, 30 Sep 2011 18:17:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jacob Galon</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Olá, ghost readers. Uma crônica curta e simples para encerrar o mês de setembro (apropriadamente, sendo este o mês da independência do Brasil) e começar o ano judaico de 5772 com alguma reflexão. Um ótimo fim de semana (e um ano bom e doce) a todos! &#160; Brasil &#160; &#160; Já por umas dezenas de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=293&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, <em>ghost readers</em>. Uma crônica curta e simples para encerrar o mês de setembro (apropriadamente, sendo este o mês da independência do Brasil) e começar o ano judaico de 5772 com alguma reflexão. Um ótimo fim de semana (e um ano bom e doce) a todos!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Brasil</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Já por umas dezenas de vezes vi algo interessante em alguns carros por aí (especialmente, por algum motivo desconhecido e sobre o qual não cabe especular aqui, nos carros-fortes que abastecem os bancos da cidade). É algo simples, mas curioso, que dialoga com épocas passadas: um adesivo no qual jaz uma singela bandeira nacional, disposta solenemente sobre um fundo branco, trazendo abaixo de si a seguinte inscrição: “BRASIL: AME-O”. Os mais velhos, por certo, hão de se recordar que o <em>slogan </em>remonta a outros tempos, lá aos idos de 1964. Independente disso, é preciso considerar que nesta frase ingênua ainda propagandeada, principalmente, pelos carros-fortes, encontra-se elipsado um advérbio de modo. Como dizem por aí, o amor é <em>cego</em>.</p>
<p>Quem ama não vê defeitos? Verdade para alguns. Quem ama não reclama (e prevejo o surgimento de adesivos com esta frase colocada debaixo da bandeira logo, logo). Ame e tenha seus direitos cerceados – lembre-se: a Constituição é algo simbólico; não deve ser tomada de forma literal. Os deveres, porém, você há de cumprir. Não vote e seja multado. Recuse-se a servir o exército e pague multa; se não puder pagar, vá para a cadeia e passe lá uns bons anos de sua vida. Faça escândalo no postinho de saúde quando seu bebê não for atendido e pague (de novo!) multa, ou passe mais alguns anos no xilindró. Ame e dê boa parte de seu suado salário para o pagamento de impostos, impostos estes que garantirão a manutenção da singela mansão do deputado, lá em Angra dos Reis, e a fazenda do senador no interior de Goiás. Ame e contribua, contribua e contribua a vida toda, mas não receba em troca de sua contribuição o que lhe é prometido, o que lhe dizem que se financia com ela. Ame e veja seu filho morrer num acidente de carro na estrada, naquela que está cheinha de buracos e sem sinalização alguma. Ame e pague aluguel pelo resto de sua vida, ciente, é claro, dos indispensáveis reajustes anuais, ou então financie sua casa própria e deva eternamente ao governo e/ou aos bancos, correndo o risco de perder tudo – a casa e os investimentos já feitos – caso deixe de pagar as parcelas. Ame e veja os itens necessários à sua sobrevivência se tornarem cada vez mais caros, ao passo que seu salário decresce diante deles. Ame e consiga, com muito esforço e após anos de estudo, trabalho e dedicação, adquirir alguma coisa que lhe traga conforto, para ser destituído poucos depois desta mesma coisa quando um qualquer lhe puser um revólver na cabeça e a tomar de você, saindo por aí numa boa, sem nunca mais ser visto. Ame e envelheça, e quando sofrer um derrame procure o hospital público, aquele mesmo, financiado (como dizem) pelo suor de seu trabalho, trabalho da vida toda. Ame e morra deitado no chão sujo de um corredor qualquer do hospital, esperando pelo atendimento que nunca virá. Ame e, depois de morto, faça sua família desembolsar uma boa quantia, da qual ela não disporá, para adquirir um minúsculo pedaço de terra a fim de enterrá-lo.</p>
<p>Diante disso, outro <em>slogan</em> criado pela ditadura na década de 1960, por mais absurdo que possa parecer, me soa bem mais agradável. “Brasil: ame-o ou deixe-o”. Embora, naquele contexto, pudesse ser usado de outra maneira, hoje funcionaria muito bem, pois neste caso há realmente uma alternativa. Assim sendo, meus caros, quando a oportunidade surgisse, eu escolheria, com prazer, a segunda opção. Brasil: tô fora.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/derkleyndiner.wordpress.com/293/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/derkleyndiner.wordpress.com/293/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/derkleyndiner.wordpress.com/293/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/derkleyndiner.wordpress.com/293/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/derkleyndiner.wordpress.com/293/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/derkleyndiner.wordpress.com/293/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/derkleyndiner.wordpress.com/293/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/derkleyndiner.wordpress.com/293/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/derkleyndiner.wordpress.com/293/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/derkleyndiner.wordpress.com/293/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/derkleyndiner.wordpress.com/293/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/derkleyndiner.wordpress.com/293/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/derkleyndiner.wordpress.com/293/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/derkleyndiner.wordpress.com/293/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=293&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Pomo Negro – novo blog no ar</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Sep 2011 01:15:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jacob Galon</dc:creator>
				<category><![CDATA[literatura juvenil]]></category>
		<category><![CDATA[início]]></category>
		<category><![CDATA[novo blog]]></category>
		<category><![CDATA[pomo negro]]></category>
		<category><![CDATA[projeto]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá, ghost readers! Uma passagem rápida para anunciar o início de meu mais novo projeto, idealizado em conjunto com meu amigo Samuel Stein — Pomo Negro, um blog que contará uma história de um modo, digamos, um tanto diferente. Para saber mais e acompanhar o blog, acesse: http://pomonegro.wordpress.com Reforço, apenas, que meu blog pessoal, Noite [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=288&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://derkleyndiner.files.wordpress.com/2011/09/black-apple-lg.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-289" title="Pomo negro" src="http://derkleyndiner.files.wordpress.com/2011/09/black-apple-lg.jpg?w=240&#038;h=240" alt="" width="240" height="240" /></a></p>
<p>Olá, <em>ghost readers</em>!</p>
<p>Uma passagem rápida para anunciar o início de meu mais novo projeto, idealizado em conjunto com meu amigo Samuel Stein — Pomo Negro, um blog que contará uma história de um modo, digamos, um tanto diferente. Para saber mais e acompanhar o blog, acesse: <a title="Pomo Negro" href="http://pomonegro.wordpress.com" target="_blank">http://pomonegro.wordpress.com</a></p>
<p>Reforço, apenas, que meu blog pessoal, Noite finita, continuará na ativa (devo seguir postando, pelo menos, com a frequência atual). Um ótimo fim de semana a todos!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/derkleyndiner.wordpress.com/288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/derkleyndiner.wordpress.com/288/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/derkleyndiner.wordpress.com/288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/derkleyndiner.wordpress.com/288/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/derkleyndiner.wordpress.com/288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/derkleyndiner.wordpress.com/288/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/derkleyndiner.wordpress.com/288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/derkleyndiner.wordpress.com/288/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/derkleyndiner.wordpress.com/288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/derkleyndiner.wordpress.com/288/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/derkleyndiner.wordpress.com/288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/derkleyndiner.wordpress.com/288/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/derkleyndiner.wordpress.com/288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/derkleyndiner.wordpress.com/288/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=288&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Pobres-diabos</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Aug 2011 18:06:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jacob Galon</dc:creator>
				<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[bebida]]></category>
		<category><![CDATA[casebre abandonado]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
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		<category><![CDATA[sobrenatural]]></category>
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		<description><![CDATA[Olá, ghost readers! Enfim posso dizer, nesta gelada quarta-feira curitibana, em cuja manhã tivemos algo semelhante a uma sensação de -7°C, que o inverno congelante parece finalmente ter passado – ainda que por um momento. De qualquer modo, hei de celebrar esta reconfortante primavera com o maior número possível de textos que puder escrever. Além [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=283&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, <em>ghost readers</em>!</p>
<p>Enfim posso dizer, nesta gelada quarta-feira curitibana, em cuja manhã tivemos algo semelhante a uma sensação de -7°C, que o inverno congelante parece finalmente ter passado – ainda que por um momento. De qualquer modo, hei de celebrar esta reconfortante primavera com o maior número possível de textos que puder escrever. Além deste que posto hoje, há outro sendo escrito e ainda tenho ideias para um terceiro. É, definitivamente os invernos não duram para sempre. E, sim, a alegria surge no amanhecer. Um ótimo restante de semana e fim de semana (antecipado) a todos!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Pobres-diabos</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eu vi, eu estava lá quando o dito-cujo apareceu. Quer dizer, ver mesmo eu não vi, mas senti o fedor forte de enxofre invadindo o pobre casebre de teto de palha. Não só isso: vi o resquício da fumacinha vermelha que o coisa-ruim deixou pra trás quando desapareceu, ou se teleportou, vai saber. Aquelas coisas todas, naquela casa&#8230; Agora tudo fazia sentido. Inexplicavelmente. Logo eu, que costumava jurar de pés juntos que essas coisas não existiam, que eram fruto da imaginação fértil de alguns ignorantes. Não. Era real. Mais que real!</p>
<p>Minhas convicções estavam erradas, esse era o fato. O bode-preto em pessoa estivera ali, naquela minúscula sala. Bem diziam que à noite havia barulhos estranhos, que objetos flutuavam ali dentro, assim, desafiando as leis da gravidade. Eu não acreditava até então, mas já não tinha dúvidas. Tudo coisa do careca. Era final de tarde e eu lá, embasbacado. Como podia, afinal? Estava com medo, sim, mas precisava ver mais.</p>
<p>– Diz que ele vem atrás dum caramunhãozinho, fiótinho, que alguém prendeu dentro dum vidro e escondeu em algum lugar por aqui – o vizinho me contou, ressabiado, olhando pra todos os lados, como se subitamente o beiçudo fosse aparecer atrás dele.</p>
<p>Meneei a cabeça, apenas, sem olhar pra ele e sem sair do lugar. Podia pegar o mal-encarado de surpresa se ele aparecesse de novo. Tirar uma foto com o celular, quem sabe. Já pensou? O único sujeito no mundo com provas concretas da existência do porco-sujo! Tá certo que com as coisas que aconteciam ali naquele casebre abandonado, ninguém precisaria de prova alguma. Mas, ainda assim, eu podia tirar alguma vantagem&#8230; Esperei, esperei. Dez, quinze, vinte minutos, meia hora. Nada. Só faltava dizer agora que o canhoto era tímido&#8230;</p>
<p>De repente, tive uma ideia brilhante, um plano diabólico, se me permitem o trocadilho. Eu ia achar o demoniozinho preso na garrafa e, depois, chantagear o pé-cascudo. O filhote por uma foto. Tive certeza de que ele não recusaria. Isso se tivesse algum préstimo pelo sarnentinho. Mas, deduzi, se se prestava a fazer aquele rebuliço todo no casebre com o intuito de encontrar o filhote de cruz-credo, era porque lhe devia ser de alguma valia. Eu ia pegar aquele capa-verde! Ah, se ia!</p>
<p>Vasculhei toda a tralha que havia por ali, desde um amontoado de cadeiras quebradas velhas e empoeiradas a alguns sacos cheios de lixo largados a um canto. Encontrei umas garrafas de pinga vazias, sem nenhum tinhoso dentro. Cheguei a achar que o danadinho tinha escapado. Nesse caso, lá se ia minha chance&#8230; Porém, súbito, ouvi ruídos estranhos vindos de algum lugar próximo. Depois, um leve tremor no chão de madeira podre. O vizinho me encarou, os olhos arregalados, e pulou janela afora, sem nem pedir licença. Tirei o celular do bolso e me preparei, tentando conter as mãos trêmulas. Eu estava disposto a ficar e tirar a foto do coxo. Muito disposto. Mas, admito, os ruídos e tremores aumentaram e, correndo o risco de acabar borrando as calças, achei por bem sair logo dali. Fui devagar, no entanto, passando lentamente pela abertura da porta, olhando precavido pra trás.</p>
<p>Tomei um susto ao esbarrar num sujeitinho maltrapilho que vestia uns trapos cinzentos, desbotados, mofados, e puxava, preso a uma corda que trazia na mão esquerda, um animal de pelos emaranhados, negros, opacos, tão malcheiroso quanto ele próprio. Examinei de cima a baixo aquela escória da sociedade, deixando-me sentir pena pelo lixo de vida que ele devia ter. Senti ojeriza também, ao ver seus pés cheios de rachaduras, calçados em sandálias de couro velhas, arrebentadas. Não bastasse sua presença desagradável e fétida, o andarilho ainda tinha a audácia de me encarar, numa expressão cerrada e tosca formada pelos lábios inchados repletos de feridas, nariz esfolado e olhos remelentos, além da barba escura suja e alguns parcos fios de cabelo engordurados. Dei de ombros e lhe dirigi a palavra, ainda que brevemente, com o tom de voz superior que minha condição social me permitia utilizar naquela situação:</p>
<p>– Não vai querer entrar aí. O cão-miúdo está aí dentro. Se eu fosse você – felizmente não sou –, mudava meu rumo.</p>
<p>O sem-teto me ignorou completamente. Manquejante, seguiu caminho casebre adentro, levando o bicho fedorento consigo. Dei de ombros mais uma vez – se o mendigo queria conviver com o condenado, o problema era dele; eu fizera minha parte – e me afastei do local, pra nunca mais voltar. Não precisaria, pois agora tinha certeza da existência do tentador. Sim, agora tudo fazia sentido. E foi ao passar diante da porta de um bar que minhas suspeitas se confirmaram. Ouvi a voz soar em minha mente: “Entre! Beba uma dose! Um pouquinho só, pra confraternizar!” Era ele. Estava me acompanhando. Estivera naqueles anos todos, mas eu, convicto de meu ceticismo, não poderia ter imaginado.</p>
<p>Supliquei pelo auxílio de Deus, mas, injustiça, o tentador era mais forte que eu. Vendo uns amigos no bar, entrei e bebi com eles. Uma dose, duas, três. Perdi as contas. Saí de lá trançando as pernas, bastante animado, apesar de tudo. Mas o capeta ainda queria mais. Sim, como sempre. Cheguei no portão de casa, meu sobrado tríplex, debaixo de chuva, uma chuva torrencial dos infernos. Estava trancado com cadeado. Aí ele, o excomungado, me encheu de raiva. Arrebentei o cadeado, irado, e escancarei o portão.</p>
<p>Entrei em casa e, sem hesitar, desci o braço na mulher e nos pivetes, que não paravam de berrar – o que fazia, inspiração do dragão, com que eu ficasse ainda mais nervoso –, até ao ponto de arrancar-lhes umas gotas de sangue. Não era eu ali, compreendam. Tudo culpa do inimigo. Ele é que me fazia agir daquela forma. Como sempre. Todos os dias. Agora eu estava certo de que era esse o motivo pelo qual as crianças, ao verem da janela que eu me aproximava, começavam a gritar:</p>
<p>– Lá vem o demônio! Lá vem o demônio!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/derkleyndiner.wordpress.com/283/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/derkleyndiner.wordpress.com/283/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/derkleyndiner.wordpress.com/283/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/derkleyndiner.wordpress.com/283/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/derkleyndiner.wordpress.com/283/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/derkleyndiner.wordpress.com/283/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/derkleyndiner.wordpress.com/283/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/derkleyndiner.wordpress.com/283/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/derkleyndiner.wordpress.com/283/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/derkleyndiner.wordpress.com/283/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/derkleyndiner.wordpress.com/283/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/derkleyndiner.wordpress.com/283/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/derkleyndiner.wordpress.com/283/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/derkleyndiner.wordpress.com/283/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=283&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>À mesa</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jul 2011 17:40:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jacob Galon</dc:creator>
				<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[bar]]></category>
		<category><![CDATA[bebida]]></category>
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		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá, ghost readers! Sim, fui abatido pelo grande e gelado inverno das páginas em branco (sejam elas físicas ou virtuais). Não sei dizer se a primavera já chegou, mas o texto que posto hoje – o primeiro que consegui escrever bem depois de meses e meses – ao menos sinaliza que ela se aproxima. Assim [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=279&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Olá, <em>ghost readers</em>!</p>
<p>Sim, fui abatido pelo grande e gelado inverno das páginas em branco (sejam elas físicas ou virtuais). Não sei dizer se a primavera já chegou, mas o texto que posto hoje – o primeiro que consegui escrever <em>bem </em>depois de meses e meses – ao menos sinaliza que ela se aproxima. Assim espero.</p>
<p>Um ótimo fim de semana (antecipado) a todos!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>À mesa</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong></strong>Um copo sobre a mesa. O olhar apreensivo, as mãos trêmulas. Tirou o chapéu da cabeça e o colocou sobre a mesa, a poucos centímetros do copo, num gesto de súplica. Sabia que o destino podia ser cruel às vezes, mas não tinha culpa de estar ali, no lugar errado, no momento errado. Apoiou os antebraços na mesa e juntou as mãos, esfregando-as nervosamente. Disse com voz embargada, no tom ignavo e cuidadoso de quem não quer ofender:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>– Eu tenho filhos, sabe, moço? Dois&#8230; Um menino e uma menina. Pequenos&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O silêncio aterrador como resposta. O outro, com um breve balançar do dedo indicador direito, atraiu o garçom e mostrou-lhe o copo vazio, ordenando, com um aceno de cabeça, que este fosse preenchido. O garçom, um garoto que não devia ter mais que dezoito anos, retornou às pressas para detrás do balcão, tomando decididamente de lá uma garrafa de bebida, a qual ele já sabia tratar-se do pedido <em>de sempre </em>daquele cliente insigne. Voltou com a garrafa, abrindo-lhe tremiculosamente a tampa e derramando uma boa dose do líquido vermelho, tinto, no pequeno copo de vidro. Com o oscilar das mãos do jovem, algumas gotas da bebida rubra repousaram no exterior do copo, escorrendo lentamente por ele até tocarem a madeira fria e já repleta de manchas escuras e imperfeições.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O sujeito ergueu o copo até diante dos olhos e o analisou meticulosamente. Virou-o à boca e bebeu tudo num só gole, o líquido amargo levemente adocicado queimando-lhe a garganta, aquecendo o estômago, acendendo-lhe a face. Os olhos, já acostumados ao hábito, pouco lacrimejaram. Pousou o copo com força, provocando um baque seco, revolto. Encarou o outro, o pobre pai de dois filhos pequenos, como se ele fosse a presa inerte, prestes a ser dilacerada. Afinal, a fama e a honra, esta acima de tudo, tinham de ser mantidas. Levou a mão direita à cintura e retirou do coldre a pistola calibre 38, apontando-a para o homem sentado à sua frente. A mão esquerda enroscou-se ao copo vazio, agora apenas com uma mancha cetrina emplastrando o fundo de vidro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>– Quando ele levantar o copo, vai atirar. Sempre faz assim. Mais um que vai pro saco&#8230; – falou alguém do grupo que se mantinha a distância, somente observando a cena com apreensão. Outra vez.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ele, o pobre homem, ainda não entendia como havia acabado naquela situação. Era só um ambulante, coitado, tentando ganhar alguns trocados para sustentar a família. Que mal ele fizera? Nunca sequer esmagara uma mosca! Entrara ali com o único intuito de beber uma coisinha que fosse para se aquecer do frio e seguir seu rumo de volta para o humilde e sagrado lar. Não bastasse suas vendas terem fracassado novamente, agora estava ali, sentado à mesa com o assassino cruel. O que havia feito de tão mau para que o destino tivesse lhe reservado tamanho infortúnio?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>– Vai erguer o copo! – sussurrou uma voz ao fundo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>– Vai atirar! – falou outra.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>– Ele não tem coração!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>– Vai matar o sujeito só por matar, sem nenhum motivo!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>– Ele é frio!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>– Não tem compaixão!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>– Não dá valor à vida humana!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>– É um monstro!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E, como haviam prenunciado, ele ergueu o copo à altura de seus olhos. Através do vidro, mirou o rosto do outro, empalidecido tal qual o de um vampiro. O indicador direito pressionava lentamente o gatilho, a mão segurando a arma com firmeza. O sujeito encolheu-se na cadeira de madeira apodrecida, sem ver escapatória. E não havia mesmo. Gostava de vê-los daquela maneira, imóveis, incapazes. Inofensivos. Decidido, disse as habituais palavras à vítima, palavras essas que, assim como aves negras à espreita no deserto, anunciavam o fim, como todos ali já sabiam, embora não as compreendessem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>– Nunca mais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O dedo afundou o gatilho e o estampido ecoou por todo o recinto escurecido, que cheirava a álcool, madeira podre e gordura. Pólvora. Soprou o cano fumacento da pistola e a guardou de volta no coldre. Levantou-se e tirou do bolso do colete duas pequenas moedas, depositando-as de qualquer jeito na mesa e sinalizando ao jovem garçom que aquilo pagava a bebida. Tomou o copo de vidro no qual bebera e o atirou violentamente no chão, estilhaçando-o no piso de madeira escura. Os cacos reluzentes, cortantes, espalharam-se até bem próximo do sujeito inerte, baleado à queima-roupa na cabeça – com o impacto do tiro, as pernas da cadeira na qual o homem se sentava haviam quebrado e, com isso, o corpo esparramara-se no chão, tingindo-o de um tom ainda mais escuro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>– Um vagabundo a menos. – disse aos espectadores, que permaneciam distantes, temerosos, incrédulos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Finalmente, atingiu com um efusivo tabefe o chapéu que o outro deixara na mesa, fazendo-o cair sobre o rosto ensopado do dono. Sem dizer mais palavra, cruzou as portinholas da espelunca e, montado em seu cavalo, desapareceu no horizonte.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Naquela noite, em um pequeno casebre a alguns quilômetros dali, os costumeiros gritos de dor e pavor deram lugar a um silêncio sepulcral. O odor de álcool e suor foi substituído pelo impregnante aroma das velas. Não era sangue inocente o que havia no chão não nivelado, nos caixotes de madeira improvisados como cadeiras e na singela tábua retangular que servia de mesa, a mesa na qual a família costumava reunir-se para se alimentar e sofrer. Havia um corpo em um caixão de madeira lustrado. Um corpo sobre a mesa.</p>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/derkleyndiner.wordpress.com/279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/derkleyndiner.wordpress.com/279/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/derkleyndiner.wordpress.com/279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/derkleyndiner.wordpress.com/279/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/derkleyndiner.wordpress.com/279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/derkleyndiner.wordpress.com/279/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/derkleyndiner.wordpress.com/279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/derkleyndiner.wordpress.com/279/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/derkleyndiner.wordpress.com/279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/derkleyndiner.wordpress.com/279/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/derkleyndiner.wordpress.com/279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/derkleyndiner.wordpress.com/279/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/derkleyndiner.wordpress.com/279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/derkleyndiner.wordpress.com/279/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=279&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Lançamento de &#8216;Noite finita&#8217; – enfim</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jun 2011 12:29:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jacob Galon</dc:creator>
				<category><![CDATA[notícia]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[estreia]]></category>
		<category><![CDATA[Jacob Galon]]></category>
		<category><![CDATA[lançamento]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[Multifoco]]></category>
		<category><![CDATA[noite finita]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá, ghost readers! Enfim, e desta vez definitivamente, anuncio (em cima da hora) o lançamento do meu livro de estreia, Noite finita, publicado pela Editora Multifoco. O evento acontecerá hoje, às 19h, no Centro de Curitiba. &#160; Abraços a todos e, mais uma vez, perdoem-me pela ausência. Uma busca pessoal, no momento, tem bloqueado minha [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=276&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, <em>ghost readers</em>!</p>
<p>Enfim, e desta vez definitivamente, anuncio (em cima da hora) o lançamento do meu livro de estreia, <em>Noite finita</em>, publicado pela Editora Multifoco. O evento acontecerá hoje, às 19h, no Centro de Curitiba.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Abraços a todos e, mais uma vez, perdoem-me pela ausência. Uma busca pessoal, no momento, tem bloqueado minha inspiração para a escrita. Espero que isso passe logo, mas, por ora, não tenho qualquer previsão de quando novamente vou escrever um texto decente para postar aqui.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma ótima semana!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/derkleyndiner.wordpress.com/276/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/derkleyndiner.wordpress.com/276/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/derkleyndiner.wordpress.com/276/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/derkleyndiner.wordpress.com/276/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/derkleyndiner.wordpress.com/276/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/derkleyndiner.wordpress.com/276/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/derkleyndiner.wordpress.com/276/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/derkleyndiner.wordpress.com/276/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/derkleyndiner.wordpress.com/276/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/derkleyndiner.wordpress.com/276/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/derkleyndiner.wordpress.com/276/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/derkleyndiner.wordpress.com/276/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/derkleyndiner.wordpress.com/276/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/derkleyndiner.wordpress.com/276/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=276&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Lançamento adiado</title>
		<link>http://derkleyndiner.wordpress.com/2011/04/19/lancamento-adiado/</link>
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		<pubDate>Tue, 19 Apr 2011 19:39:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jacob Galon</dc:creator>
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		<category><![CDATA[lançamento]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[Multifoco]]></category>
		<category><![CDATA[noite finita]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenho o desprazer de informar que o lançamento do meu primeiro livro, Noite finita, marcado para o dia 20 de abril (amanhã à noite) foi adiado. Por enquanto não há previsão de uma nova data para o evento. Qualquer novidade, aviso no blog e nos demais meios possíveis. Ótima semana a todos. Aos que celebram, chag [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=272&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho o desprazer de informar que o lançamento do meu primeiro livro, <em>Noite finita</em>, marcado para o dia 20 de abril (amanhã à noite) foi adiado. Por enquanto não há previsão de uma nova data para o evento. Qualquer novidade, aviso no blog e nos demais meios possíveis.</p>
<p>Ótima semana a todos. Aos que celebram, chag kosher vesomeach!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/derkleyndiner.wordpress.com/272/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/derkleyndiner.wordpress.com/272/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/derkleyndiner.wordpress.com/272/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/derkleyndiner.wordpress.com/272/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/derkleyndiner.wordpress.com/272/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/derkleyndiner.wordpress.com/272/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/derkleyndiner.wordpress.com/272/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/derkleyndiner.wordpress.com/272/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/derkleyndiner.wordpress.com/272/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/derkleyndiner.wordpress.com/272/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/derkleyndiner.wordpress.com/272/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/derkleyndiner.wordpress.com/272/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/derkleyndiner.wordpress.com/272/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/derkleyndiner.wordpress.com/272/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=272&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Lançamento de &#8216;Noite finita&#8217;, meu livro de estreia. on Twitpic</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Apr 2011 18:34:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jacob Galon</dc:creator>
				<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[notícia]]></category>

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		<description><![CDATA[Lançamento de &#8216;Noite finita&#8217;, meu livro de estreia. on Twitpic. &#160; Após um tempo de espera (em um processo mais que normal), finalmente anuncio, com satisfação, o lançamento de meu primeiro livro, Noite finita, publicado pela Editora Multifoco, que reúne alguns de meus primeiros contos. O evento de lançamento será realizado na livraria do Paço [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=268&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://twitpic.com/4k2cac">Lançamento de &#8216;Noite finita&#8217;, meu livro de estreia. on Twitpic</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Após um tempo de espera (em um processo mais que normal), finalmente anuncio, com satisfação, o lançamento de meu primeiro livro, <em>Noite finita</em>, publicado pela Editora Multifoco, que reúne alguns de meus primeiros contos.</p>
<p>O evento de lançamento será realizado na livraria do Paço da Liberdade, no Centro de Curitiba, no próximo dia 20 de abril. Para quem mora em outras cidades, é provável que o livro esteja a venda  no site da editora a partir de semana que vem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma ótima semana a todos!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/derkleyndiner.wordpress.com/268/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/derkleyndiner.wordpress.com/268/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/derkleyndiner.wordpress.com/268/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/derkleyndiner.wordpress.com/268/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/derkleyndiner.wordpress.com/268/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/derkleyndiner.wordpress.com/268/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/derkleyndiner.wordpress.com/268/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/derkleyndiner.wordpress.com/268/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/derkleyndiner.wordpress.com/268/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/derkleyndiner.wordpress.com/268/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/derkleyndiner.wordpress.com/268/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/derkleyndiner.wordpress.com/268/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/derkleyndiner.wordpress.com/268/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/derkleyndiner.wordpress.com/268/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=268&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Sobre o atentado em Itamar</title>
		<link>http://derkleyndiner.wordpress.com/2011/03/14/makom-sobre-o-atentado-em-itamar/</link>
		<comments>http://derkleyndiner.wordpress.com/2011/03/14/makom-sobre-o-atentado-em-itamar/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Mar 2011 18:08:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jacob Galon</dc:creator>
				<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá, ghost readers. Uma pequena pausa na literatura para tratar de algo ainda mais importante. Um atentado terrorista chocou Israel no último fim de semana. Na madrugada de sexta-feira, 12, em Itamar, radicais invadiram uma casa de judeus ortodoxos e esfaquearam brutalmente Udi, 36, sua esposa Ruth, 35, e seus filhos Yoav, 11, Elad, 4, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=263&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, <em>ghost readers</em>. Uma pequena pausa na literatura para  tratar de algo ainda mais importante. Um atentado terrorista chocou  Israel no último fim de semana. Na madrugada de sexta-feira, 12, em  Itamar, radicais invadiram uma casa de judeus ortodoxos e esfaquearam  brutalmente Udi, 36, sua esposa Ruth, 35, e seus filhos Yoav, 11, Elad,  4, e Hadas, um bebê de 3 meses de idade. Outras três crianças da família  conseguiram escapar com vida.</p>
<p>Tive a infelicidade – e o acaso – de ver as fotos divulgadas pelo  governo de Israel, com autorização dos familiares, das cenas da  brutalidade cometida contra essa família. Não vou divulgá-las aqui, pois  acredito que tendem a se tornar mero objeto de curiosidade mórbida de  certas pessoas. Além disso, são cenas chocantes, marcantes e terríveis.  Não quero chocar ninguém, embora, algumas vezes, isso se faça necessário  para que as pessoas percebam e entendam o que acontece. Também não vou  discutir sobre se foi correto ou não o governo israelense optar pela  divulgação das fotos. Não são estes meus objetivos.</p>
<p>Entretanto, três questionamentos principais me vêm, de pronto, ao  refletir um pouco sobre o ocorrido. Primeiro: que tipo de relação com a  vida têm essas pessoas capazes de cometer tal atrocidade? Quero dizer,  qual é o valor que esses radicais palestinos dão à vida? Até que ponto  um suposto objetivo material – a obtenção de um Estado independente –  pode passar por cima do valor de vidas inocentes, como as dessas  crianças? É fácil descobrir isso quando se assume tratar-se de um povo  cuja religião baseia-se em princípios ultrapassados, medievais, de  desrespeito para com o próximo, de incentivo à violência contra aqueles  que não recebem seu &#8216;profeta&#8217; de braços abertos. Um povo que usa suas  próprias mulheres e crianças como escudos. Um povo que instiga o ódio e a  violência desde os primeiros passos de seus descendentes. Um povo para o  qual a vida humana não tem, definitivamente, qualquer valor – vide os  casos de jovens, homens e mulheres que tiram a própria vida em prol de  uma causa excusa. É perfeitamente compreensível que pessoas com esses  &#8216;valores&#8217; cometam barbaridades como a ocorrida em Itamar, e em tanto  outros lugares, tantas outras vezes. Compreensível, sim, mas JAMAIS  aceitável. Dentro desse questionamento, cabe ainda outra pergunta: por  que as mídias brasileira e internacional não deram qualquer destaque ao  fato? É certo que as fotos estampariam as capas dos principais  jornais/sites sensacionalistas se fossem crianças palestinas, não é  mesmo?</p>
<p>Segundo ponto: a conquista de um Estado independente, ou um protesto,  que seja, justifica o assassinato de pessoas inocentes? A simples luta  por supostos direitos seria motivo suficiente para tal atrocidade?  Talvez fosse, já que, hoje, em qualquer lugar do mundo, se mata por  motivos fúteis. Mas não é esse o caso dos radicais palestinos. Qual é,  afinal, o objetivo desses terroristas? A resposta foi dada a alguns  quilômetros de Itamar. Ahmadinejad, líder do Irã, resumiu, sem qualquer  pudor, o objetivo dos palestinos, dele próprio e do mundo islâmico em  geral: a extinção completa da nação Israel e, por consequência, do povo  judeu que nela vive. Objetivo este, é claro, velado pelos espertos  radicais, que atacam covardemente sob o pretexto de disputa pela terra e  revolta contra o &#8216;opressor&#8217;, além de ignorado convenientemente pela  mídia.</p>
<p>Terceiro e último questionamento: o que deve ser feito, afinal, para que  barbaridades como essa não voltem a acontecer? É realmente possível  estabelecer acordos de paz quando uma das partes claramente não tem  interesse nela? Não me recordo agora, mas li em uma das notícias uma  indagação pertinente de um rabino, que dizia: &#8216;com quem vamos sentar  agora para falar sobre paz?&#8217; Reforço: com quem? Com esses porcos  covardes e sujos que cometem essas aberrações, que não respeitam nem  mesmo crianças inocentes? Não; certamente que não. Me perdoem, mas nesse  momento sou levado a acreditar que uma frase que ouvi – diga-se, em um  trailer de filme que ainda não foi lançado, mas que talvez remeta, de  alguma forma, à situação como um todo, ainda que seja um filme puramente  comercial – tem um fundo de verdade: &#8216;a paz nunca foi uma opção&#8217;.  Talvez, se Israel acordar novamente para essa infeliz verdade e deixar  de politicagens, as mortes de outros inocentes possam ser evitadas.</p>
<p>Basta, agora, não apenas chorar as mortes dessas pessoas. Baseado no que  foi muito bem dito pelo amigo Mordechai Cano em um comentário em seu  blog (<a href="http://orientemedio1.wordpress.com/2011/03/13/itamar-mais-uma-amostra-do-resultado-do-processo-de-paz-by-mordechai-cano/#comment-20525" target="_blank">http://orientemedio1.wordpress.com/2011/03/13/itamar-mais-uma-amostra-do-resultado-do-processo-de-paz-by-mordechai-cano/#comment-20525</a>),  penso que os israelenses não devem limitar-se a lamentar a perda dessas  vidas inocentes. Devem, sim, protestar, exigir das autoridades que  medidas sejam tomadas imediatamente para que não aconteçam novos  atentados e que a justiça seja feita.</p>
<p>Justiça. Por mais que a revolta provoque o ímpeto de querer, de alguma  forma e se fosse possível, fazer justiça com as próprias mãos, não vejo  como a <em>nossa</em> justiça poderia fazer os responsáveis pagarem pela  barbaridade do ato cometido. Linchá-los? Matá-los? Encarcerá-los pelo  resto da vida? Torturá-los? Não. Nada disso os faria pagar. Ferir e  matar qualquer pessoa indefesa, quando esta não dispõe de meios para se  defender, a facadas, a sangue frio, já é em si algo repudiável. Fazer  isto com crianças é um ato a ser atribuído a alguém que se encontra em  nível abaixo do &#8216;humano&#8217;, abaixo até mesmo do &#8216;animal&#8217;.</p>
<p>Confio a justiça, no entanto, ao Eterno. Ele sim dará a paga a  esses miseráveis desgraçados. Ele fará o que é justo. Ele, também, há de  consolar os familiares e, especialmente, as crianças sobreviventes. Que  Ele as guarde sob Suas asas.<br />
Quanto a Udi, Ruth, Yoav, Elad e Hadas, que suas almas estejam  conectadas à corrente da vida eterna. E que suas memórias sejam bênção  para o povo de Israel e jamais sejam esquecidas. Amen.</p>
<p><a href="http://makom.haaretz.com/topic.asp?rId=196" target="_blank">Makom</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class="aligncenter" title="A família Fogel" src="http://tundratabloids.com/wp-content/uploads/2011/03/The-Fogel-Family1.jpg" alt="" width="393" height="296" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/derkleyndiner.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/derkleyndiner.wordpress.com/263/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/derkleyndiner.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/derkleyndiner.wordpress.com/263/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/derkleyndiner.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/derkleyndiner.wordpress.com/263/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/derkleyndiner.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/derkleyndiner.wordpress.com/263/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/derkleyndiner.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/derkleyndiner.wordpress.com/263/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/derkleyndiner.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/derkleyndiner.wordpress.com/263/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/derkleyndiner.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/derkleyndiner.wordpress.com/263/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=derkleyndiner.wordpress.com&amp;blog=1183469&amp;post=263&amp;subd=derkleyndiner&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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