Noite finita

jacob galon

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Empatia

 

Trabalho em um ambiente voltado para a educação. As pessoas que lá trabalham, ao menos em sua maioria, estão envolvidas diretamente com essa área. Supõe-se, então, que elas adotem, profissionalmente, uma postura humana e compreensiva, algo que, por sinal, tanto gostam de apregoar. Não é o que acontece.

Moro longe do local de trabalho, e por isso, devido ao fato de ter de me deslocar de ônibus e consequentemente enfrentar trânsito, costumava entrar entre 20 e 30 minutos do horário-base, no caso, 8h, flexibilidade permitida pelo acordo coletivo firmado, que adotou o banco de horas (tanto é que nunca fui o único a não estar na empresa religiosamente às 8; além disso, nunca deixo de cumprir a carga horária diária, tanto que me mantenho geralmente com saldo positivo de horas). Ocorre que alguns colegas, como que responsáveis pela vida alheia, se incomodaram com isso e, depois de uma ou outra indireta, levaram o fato à coordenação – isto deduzi, verdade seja dita, mas as características pessoais de certos colegas, que já conheço bem, e a consideração de que a coordenação não necessariamente se importava tanto com isso me fizeram chegar a essa conclusão. Fui chamado pela chefe para comparecer a sua sala, e lá me foi dito o seguinte:

— O horário é 8 horas, e você precisa estar aqui nesse horário.

Certo. Banco de horas existe pra quê?

— Tenho problemas com o trânsito. – respondi, numa simplificação absurda do que de fato acontece; nunca acho as palavras adequadas assim, de pronto, e com isso dificilmente consigo dizer o que eu quero ou o que precisava ser dito. Se pudesse escrever, como faço agora, seria muito mais fácil. Infelizmente, nem sempre é possível.

—É, mas você tem que dar um jeito. Tem que estar aqui às 8. [ponto]

Ok. Saí da sala sem dizer mais palavra sobre. Não contei à chefe que quando saio de casa pela manhã não sento o traseiro no confortável banco de um carro e não vou dirigindo, livre, até o prédio, cabelos balouçando ao vento, curtindo uma musiquinha legal ou ouvindo notícias – distrações para o caso de um possível congestionamento, do qual, se for esperto, posso desviar; se não, ao menos estarei em um espaço minimamente cômodo. Não lhe disse que de casa vou direto para o terminal de ônibus, onde uma estação-tubo transbordando de gente me aguarda – e só ali já perco uns 15 minutos, ou mais, até que, enfim, consiga entrar em um ônibus; que inúmeras vezes me forço a ir esmagado em meio ao amontoado de pessoas dentro do veículo, a fim de não me atrasar mais, e ter de ficar ali muitas vezes por mais de uma hora, visto que o motorista tem de seguir o percurso da linha, independente de passar por ruas congestionadas ou não. Sem falar quando, vez ou outra, o ônibus quebra e sou obrigado a descer e entrar em outro ainda mais cheio.

(Aqui, um adendo. Nenhum dos meus colegas e chefes perguntou, mas a vocês, ávidos leitores, irei contar. Sabem como é para alguém no espectro do autismo ter de ficar no meio de um monte de pessoas que falam todas ao mesmo tempo e lhe tocam de algum modo, prensando seus corpos contra o seu? Para os neurotípicos talvez seja um mero incomodozinho, algo desagradável, mas que pode ser relevado. Para mim é algo que beira a claustrofobia – creio que isso seja mais fácil de ser imaginado –, que me deixa extremamente irritado e cansado e que, dependendo da intensidade, vai me fazer me sentir mal por um bom tempo.)

Eu não detalhei, também, a questão do trânsito – em alguns pontos, o ônibus chega a levar cerca de 20 minutos para percorrer um trecho de não mais que 500 metros. E, na verdade, são três os pontos de congestionamento que “enfrento” desde o terminal de ônibus até a região central em que se localiza o prédio da empresa. Portanto, calculem.

 

É engraçado como profissionais de educação (incluo aqui as pessoas com as quais trabalho) adoram fazer belíssimos e pomposos discursos: “Temos de nos colocar no lugar do outro”; “precisamos ser compreensivos, humanos, aceitar as diferenças”; “precisamos compreender o outro, não condená-lo”; “não podemos agir baseados em pré-julgamentos”; “devemos ter empatia”; “ooooooooom” [leia todas as frases no tom mais zen possível, visualizando pedagogas em posição de lótus]. Joia. Tudo muito legal, tudo muito bonito. Seria ainda mais legal e mais bonito se fosse colocado em prática. As mesmas pessoas que entoam estas e outras frases semelhantes são as que lhe dizem, às vezes não por palavras, mas com suas atitudes: “Eu não quero saber dos seus problemas”; “não me interessa se você tem dificuldades, interessa que faça o que eu estou mandando”; “eu não me importo em conhecer os motivos do outro; ele é como eu; se eu não tenho problemas, ele também não tem”; “eu, eu, eu”.

A situação toda merecia um conto-resposta como ilustração, é verdade. Mas hoje estou tão chateado e desanimado que preferi expressar tudo diretamente, sem rodeios, doa a quem doer (ou a quem ler). A vontade que tive foi de me levantar da cadeira de escritório, enviar este texto à gerente, ao diretor e demais interessados (já que não conseguiria me expressar oralmente de maneira satisfatória), pedir minhas contas e ir embora. Sabem por que não fiz isso? Por um único motivo: minha mãe, com quem vivo e a quem atualmente sustento. E isto não significa que eu seja “bom” ou um “ser superior”, mas sim porque é meu dever e minha retribuição a ela por ter feito tudo o que pôde para me proporcionar o que tenho hoje. Faço por gratidão.

Eu tinha só 10 anos quando meu pai aprontou (mais uma vez) e acabou sendo preso. Minha mãe, então, teve de arranjar um emprego para me sustentar. Ela não trabalhava há mais de uma década, atendendo a uma exigência do marido. Por isso, tudo que conseguiu na época foi um trabalho de empregada doméstica no apartamento de uma prima rica, no bairro Cabral. Mais tarde passou a diarista, depois a copeira no escritório de uma empresa estrangeira dedicada à navegação comercial. Ganhava sempre não mais que dois salários. Pagava o aluguel, luz, água, telefone, as compras do supermercado, minhas roupas e sapatos, meus materiais e uniformes escolares, meus livros da faculdade, meus caprichos (um docinho aqui, uma revistinha ali). E, no entanto, nunca deixou que faltasse coisa alguma. Fazia mágica, penso. Verdadeira heroína.

Por tudo isso, e por muito mais, continuarei aqui, firme e forte. Por tudo isso, “darei um jeito”, cara chefe, e registrarei meu cartão-ponto às 8, mesmo que tenha de levantar da cama bem mais cedo e enfrentar ônibus ainda mais lotados, trânsito mais caótico e meus consequentes transtornos. Por minha mãe, que merece tudo de melhor. Porque isso, prezados colegas, isso é ter empatia, isso é colocar-se no lugar do outro. E, vejam só, que bela ironia: um autista, que, dizem por aí, faz parte de um grupo de criaturas desprovidas de empatia, vivenciando aquilo sobre o qual tanto ouve falar. Enquanto isso, vocês falam, falam, falam… Palavras de ouro. E mãos e mentes atrofiadas. Podres.

MPF, os ciganos e o Houaiss – tudo a ver

Olá, ghost readers!

Tentei escrever uma breve introdução ao tema, mas minha cachola não está funcionando muito bem nesta tarde (febre, dor de cabeça e cansaço físico dizem ‘olá, Kobi’; o cineminha solitário de depois do trabalho diz ‘adeus’). Por isso, vou direto ao ponto. Primeiro, se você ainda não soube do novo absurdo do Ministério Público, clique aqui:

http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias/noticias-do-site/copy_of_indios-e-minorias/mpf-mg-vai-a-justica-para-mudar-verbete-do-dicionario-houaiss

 

Leu? Pois é. Se você também está se perguntando se o MPF não tem nada mais importante pra fazer (como, por exemplo, investigar fraudes e casos de corrupção no governo, fiscalizar o uso do dinheiro público, etc., etc., etc.), bem-vindo ao clube. Se você concorda com essa patacoada do MPF, precisa procurar esclarecimentos.

 

Enfim, a ditadura do “politicamente correto” impera (enquanto isso, em Brasília, os ratos fazem a festa). E traz com ela, atada a correias, a censura. Sim, censura – porque ameaçar retirar de circulação um dicionário reconhecido por conta de um único verbete não pode ter outro nome. Obviamente, não pude ficar calado; tive de me manifestar, enviando um e-mail diretamente ao MPF/MG, responsável pela ação civil (pública!) contra a Editora Objetiva e o Instituto Antonio Houaiss. O conteúdo do e-mail segue abaixo. Estejamos atentos para que a referida ‘ditadura’ não ultrapasse a fronteira do “politicamente correto” e não avance para um âmbito maior (e os conspiracionistas de plantão, então, poderão bradar: “eu já sabia!”). Olhos abertos, povo. Olhos bem abertos.

 

Ao MPF/MG

 

“Bom dia.

É simplesmente absurdo, inadmissível e descabível que o MPF esteja forçando a Editora Objetiva e o Instituto Antonio Houaiss a alterarem o verbete do referido dicionário sob a acusação de ‘racismo’ — e, pior, a ameaça ainda mais estapafúrdia de que o dicionário seja retirado de circulação.

Primeiramente, devem se recordar, meus caros, que um dicionário (ao menos um BOM dicionário, como é o Houaiss), nada mais, nada menos, retrata os mais variados USOS dos vocábulos de uma língua. Desta forma, se o Houaiss e outros dicionários trazem, dentre outros, tal significado para o termo ‘cigano’, deve-se tão somente ao fato de que (independente da carga pejorativa que o uso supostamente carrega) em algum lugar deste país há pessoas que o utilizam. É função de um bom dicionário retratar tal fato (desde que esclareça, obviamente, que se trata de um uso pejorativo).

Me surpreende que as coisas estejam chegando a esse ponto, a esse tamanho abuso. Digam-me: por que não processam os biólogos (e boa parte da população) por denominarem a Tanacetum vulgare como “catinga-de-mulata”, um termo claramente provindo de um uso de cunho pejorativo? Mas sugiro que vão além: vasculhem os campos em busca da planta, e então arranquem todas as catingas-de-mulata que encontrarem e as queimem numa imensa fogueira. Deste modo, os afrodescendentes nunca mais se sentirão ofendidos com a simples presença da erva diante de si.

Por fim, chego à conclusão de que o Estado de Minas Gerais e o Brasil não têm problemas mais graves a serem resolvidos; não há políticos corruptos desviando o dinheiro público; não há falta de investimento em educação, saúde, segurança, moradia; enfim, não há nada realmente importante a ser questionado e investigado. Explica-se, então, o tempo disposto para tratar de ‘picuinhas’ como o verbete de um dicionário, ou para promover uma caça às bruxas nas obras literárias antigas (e Monteiro Lobato deve estar se revirando no túmulo até hoje). Esse tipo de coisa, a propósito, tem nome, e um nome que os brasileiros conhecem bem (embora, memória curta, já pareçam ter esquecido): censura. E censura e democracia, meus caros, não podem caminhar de mãos dadas.”

Sobre o atentado em Itamar

Olá, ghost readers. Uma pequena pausa na literatura para tratar de algo ainda mais importante. Um atentado terrorista chocou Israel no último fim de semana. Na madrugada de sexta-feira, 12, em Itamar, radicais invadiram uma casa de judeus ortodoxos e esfaquearam brutalmente Udi, 36, sua esposa Ruth, 35, e seus filhos Yoav, 11, Elad, 4, e Hadas, um bebê de 3 meses de idade. Outras três crianças da família conseguiram escapar com vida.

Tive a infelicidade – e o acaso – de ver as fotos divulgadas pelo governo de Israel, com autorização dos familiares, das cenas da brutalidade cometida contra essa família. Não vou divulgá-las aqui, pois acredito que tendem a se tornar mero objeto de curiosidade mórbida de certas pessoas. Além disso, são cenas chocantes, marcantes e terríveis. Não quero chocar ninguém, embora, algumas vezes, isso se faça necessário para que as pessoas percebam e entendam o que acontece. Também não vou discutir sobre se foi correto ou não o governo israelense optar pela divulgação das fotos. Não são estes meus objetivos.

Entretanto, três questionamentos principais me vêm, de pronto, ao refletir um pouco sobre o ocorrido. Primeiro: que tipo de relação com a vida têm essas pessoas capazes de cometer tal atrocidade? Quero dizer, qual é o valor que esses radicais palestinos dão à vida? Até que ponto um suposto objetivo material – a obtenção de um Estado independente – pode passar por cima do valor de vidas inocentes, como as dessas crianças? É fácil descobrir isso quando se assume tratar-se de um povo cuja religião baseia-se em princípios ultrapassados, medievais, de desrespeito para com o próximo, de incentivo à violência contra aqueles que não recebem seu ‘profeta’ de braços abertos. Um povo que usa suas próprias mulheres e crianças como escudos. Um povo que instiga o ódio e a violência desde os primeiros passos de seus descendentes. Um povo para o qual a vida humana não tem, definitivamente, qualquer valor – vide os casos de jovens, homens e mulheres que tiram a própria vida em prol de uma causa excusa. É perfeitamente compreensível que pessoas com esses ‘valores’ cometam barbaridades como a ocorrida em Itamar, e em tanto outros lugares, tantas outras vezes. Compreensível, sim, mas JAMAIS aceitável. Dentro desse questionamento, cabe ainda outra pergunta: por que as mídias brasileira e internacional não deram qualquer destaque ao fato? É certo que as fotos estampariam as capas dos principais jornais/sites sensacionalistas se fossem crianças palestinas, não é mesmo?

Segundo ponto: a conquista de um Estado independente, ou um protesto, que seja, justifica o assassinato de pessoas inocentes? A simples luta por supostos direitos seria motivo suficiente para tal atrocidade? Talvez fosse, já que, hoje, em qualquer lugar do mundo, se mata por motivos fúteis. Mas não é esse o caso dos radicais palestinos. Qual é, afinal, o objetivo desses terroristas? A resposta foi dada a alguns quilômetros de Itamar. Ahmadinejad, líder do Irã, resumiu, sem qualquer pudor, o objetivo dos palestinos, dele próprio e do mundo islâmico em geral: a extinção completa da nação Israel e, por consequência, do povo judeu que nela vive. Objetivo este, é claro, velado pelos espertos radicais, que atacam covardemente sob o pretexto de disputa pela terra e revolta contra o ‘opressor’, além de ignorado convenientemente pela mídia.

Terceiro e último questionamento: o que deve ser feito, afinal, para que barbaridades como essa não voltem a acontecer? É realmente possível estabelecer acordos de paz quando uma das partes claramente não tem interesse nela? Não me recordo agora, mas li em uma das notícias uma indagação pertinente de um rabino, que dizia: ‘com quem vamos sentar agora para falar sobre paz?’ Reforço: com quem? Com esses porcos covardes e sujos que cometem essas aberrações, que não respeitam nem mesmo crianças inocentes? Não; certamente que não. Me perdoem, mas nesse momento sou levado a acreditar que uma frase que ouvi – diga-se, em um trailer de filme que ainda não foi lançado, mas que talvez remeta, de alguma forma, à situação como um todo, ainda que seja um filme puramente comercial – tem um fundo de verdade: ‘a paz nunca foi uma opção’. Talvez, se Israel acordar novamente para essa infeliz verdade e deixar de politicagens, as mortes de outros inocentes possam ser evitadas.

Basta, agora, não apenas chorar as mortes dessas pessoas. Baseado no que foi muito bem dito pelo amigo Mordechai Cano em um comentário em seu blog (http://orientemedio1.wordpress.com/2011/03/13/itamar-mais-uma-amostra-do-resultado-do-processo-de-paz-by-mordechai-cano/#comment-20525), penso que os israelenses não devem limitar-se a lamentar a perda dessas vidas inocentes. Devem, sim, protestar, exigir das autoridades que medidas sejam tomadas imediatamente para que não aconteçam novos atentados e que a justiça seja feita.

Justiça. Por mais que a revolta provoque o ímpeto de querer, de alguma forma e se fosse possível, fazer justiça com as próprias mãos, não vejo como a nossa justiça poderia fazer os responsáveis pagarem pela barbaridade do ato cometido. Linchá-los? Matá-los? Encarcerá-los pelo resto da vida? Torturá-los? Não. Nada disso os faria pagar. Ferir e matar qualquer pessoa indefesa, quando esta não dispõe de meios para se defender, a facadas, a sangue frio, já é em si algo repudiável. Fazer isto com crianças é um ato a ser atribuído a alguém que se encontra em nível abaixo do ‘humano’, abaixo até mesmo do ‘animal’.

Confio a justiça, no entanto, ao Eterno. Ele sim dará a paga a esses miseráveis desgraçados. Ele fará o que é justo. Ele, também, há de consolar os familiares e, especialmente, as crianças sobreviventes. Que Ele as guarde sob Suas asas.
Quanto a Udi, Ruth, Yoav, Elad e Hadas, que suas almas estejam conectadas à corrente da vida eterna. E que suas memórias sejam bênção para o povo de Israel e jamais sejam esquecidas. Amen.

Makom.

 

PNDH-3, Plano Nacional de Direitos Humanos

Olá, ghost readers! Recebi ontem um e-mail contendo a transcrição de uma homilia do padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior a respeito do recém-assinado PNDH-3, novo documento do governo brasileiro sobre os Direitos Humanos. Não satisfeito com os protestos do padre (ouça a homilia aqui: http://www.padrepauloricardo.org/site/?p=535), resolvi analisar, por mim mesmo, o que de fato se propõe (limitando-me, obviamente, a alguns trechos, visto que se trata de um longo texto de 228 páginas, que pode ser visualizado na íntegra no portal do Ministério da Justiça – http://portal.mj.gov.br/sedh/pndh3/pndh3.pdf). Vejamos o que se sucede.     

O PNDH-3 (Plano Nacional de Direitos Humanos) é bastante intrigante. Assinado recentemente pelo presidente Lula, a quem é atribuída a carta de apresentação, o longo documento apresenta propostas para uma suposta concretização dos assim chamados Direitos Humanos no país. Ocorre, porém, que o texto é realmente contraditório, ou, no mínimo, confuso e problemático, levando-se em conta alguns aspectos, que serão expostos a seguir.

Começo com algo que me chamou a atenção. No Anexo 3 há uma extensa série de 518 “propostas de ações governamentais” referentes às mais variadas particularidades. Dentre eles, a “Garantia do Direito à Liberdade, Opinião e Expressão” (p.209). As propostas apresentadas concernentes a esse tema, entretanto, são pelo menos esquisitas. De imediato, encontra-se o seguinte: 

96. Promover debate com todos os setores vinculados ao tema da liberdade de expressão e da classificação indicativa de espetáculos e diversões públicas, buscando uma ação integrada e voltada para o interesse público.  

Vê-se que a questão da liberdade, opinião e expressão aqui se encontra vinculada à produção de “espetáculos e diversões públicas” e à classificação indicativa desses eventos. O texto, porém, é vago. Que tipo de debate está sendo proposto? O que se entende por “ação (…) voltada para o interesse público”? O que vem a seguir é ainda mais curioso: 

97. Estabelecer diálogo com os produtores e distribuidores de programação visando à cooperação e sensibilização desses segmentos para o cumprimento da legislação em vigor e construção de uma cultura de direitos humanos. 

Espere aí! Não se entenda o termo “diálogo” literalmente aqui. Isto porque a intenção é de que os “produtores e distribuidores de programação” cooperem com a tal “construção de uma cultura de direitos humanos”, direitos esses expostos no próprio documento, e se atentem a cumprir a “legislação em vigor”. Ou seja, eles devem ser orientados a não transgredirem, de nenhuma forma, o que o Estado propõe. Opa! É isso que o governo brasileiro diz entender por “liberdade, expressão e opinião”? Se realmente for, acho que temos um problema aqui…

 101. Apoiar a instalação, no âmbito do Poder Legislativo, do Conselho de Comunicação Social, com o objetivo de garantir o controle democrático das concessões de rádio e televisão, regulamentar o uso dos meios de comunicação social e coibir práticas contrárias aos direitos humanos.

Controle democrático? O que seria, na prática, um controle democrático? Ou estamos em uma democracia ou não estamos. Não existe meio-termo. E, obviamente, o Legislativo é que se propõe a fazer este “controle”. Creio que há alguns anos atrás havia outro nome para o que o governo está chamando hoje de controle democrático… 

102. Garantir a possibilidade de fiscalização da programação das emissoras de rádio e televisão, com vistas a assegurar o controle social sobre os meios de comunicação e a penalizar, na forma da lei, as empresas de telecomunicação que veicularem programação ou publicidade atentatória aos direitos humanos. 

Fiscalização. Controle social. Penalizar. Atentatória. Não é o meu caso, mas quem viveu os anos dourados do país (i.e., décadas de 60 e 70, especialmente) talvez se familiarize com esses termos. Estes, mais uma vez, parecem apenas sinônimos do termo que se costumava utilizar nessas décadas para se referir a um processo peculiarmente semelhante.

Passo agora, especificamente, à Diretriz 10 (“Garantia de igualdade na diversidade”), na qual consta o Objetivo estratégico V (“Garantia do respeito à livre orientação sexual e identidade de gênero”, p.98), que trata de um dos temas abordados pelo padre Paulo Ricardo em sua homilia. Não entrarei no mérito das três primeiras ações propostas, visto que se o fizesse me estenderia a tratar de minha opinião sobre o assunto, o que, no momento, não é meu objetivo. Vou direto ao que, ao meu ver, apresenta algo singular: 

d) Reconhecer e incluir nos sistemas de informação do serviço público todas as configurações familiares constituídas por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), com base na desconstrução da heteronormatividade.   

É óbvio que o item se refere especificamente à inclusão de tais configurações nos sistemas de informação do governo. No entanto, o que mais se destaca nesse trecho é justamente a última parte. “Desconstrução da heteronormatividade”. Forte, não? Quase poético, diria. Se pretende-se desconstruir, é porque se pensa em construir algo novo. Quanto a isso, não se engane, caro leitor. Não basta respeitar os direitos e a liberdade dos homossexuais a fazerem de suas vidas o que bem entendem desde que não prejudiquem a outros. Não. É preciso concordar com eles, e concordar pode ser entendido, também, como tomar parte em seus atos. Caminhamos, sim, é para uma espécie de “homonormatividade”. Nisso não há diálogo algum. Muito menos respeito à “configuração familiar heterossexual”, uma das opções que, teoricamente, temos liberdade de “escolher”. Aliás, é a orientação sexual menos abordada no PNDH-3 – a única vez em que o prefixo “hetero” aparece é no trecho citado acima (observe-se que o termo “homossexual” também não é utilizado, mas isto se dá por predileção do uso da sigla LGBT, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais). Não há qualquer outra referência, e nesta única se coloca a heterossexualidade com um caráter negativo. Por que será?

Na sequência, encontra-se o Objetivo estratégico VI (“Respeito às diferentes crenças, liberdade de culto e garantia de laicidade do Estado”, p.100). Nele encontra-se algo que pode contradizer o objetivo anterior, dadas as devidas complicações. Vejamos: 

a) Instituir mecanismos que assegurem o livre exercício das diversas práticas religiosas, assegurando a proteção do seu espaço físico e coibindo manifestações de intolerância religiosa.

O que pode ser incluído em “livre exercício das (…) práticas religiosas”? Ora, se um determinado grupo religioso se posiciona contra o casamento homossexual, por exemplo, ele será realmente livre para expressar suas ideias, considerando-se que isto é parte de suas práticas? Se um padre, pastor ou rabino impedir homossexuais de participarem ativamente de determinados rituais, por questões puramente ideológicas, ele deverá ser punido, ainda que isso diga respeito ao exercício de suas práticas religiosas?

Além disso, pode ser bastante relativo o que se entende por “intolerância religiosa”. Não se trata apenas de intolerância entre as próprias religiões. Se, por exemplo, um cidadão homossexual não aceita o fato de que determinada denominação religiosa discorda de suas práticas (ainda que respeite sua liberdade de fazê-las), ele tem o direito de protestar contra ela? O que pesa mais? O que o PNDH-3 caracteriza como homofobia (e com o qual não concordo) ou o direito à liberdade do exercício de práticas religiosas e, mais, à liberdade de expressão e opinião? Temos, sem dúvida, um impasse. E, por alguma razão, o tom do documento quase deixa claro quem será o privilegiado nesses casos. Há alguma dúvida?

Ainda no que concerne ao aspecto religioso em sua relação com temas éticos, encontramos no Objetivo estratégico III (“Garantia dos direitos das mulheres para o estabelecimento das condições necessárias para sua plena cidadania”, p. 90) uma ação bastante polêmica. Segue o texto:

g) Apoiar a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto, considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos.        

Há um grande problema e um perigo ainda maior aqui. Desconsidera-se a visão de que o feto já é uma vida, um corpo, ainda que em formação; portanto, não se trata de “autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos”, visto que essa decisão afeta diretamente outra vida! Não é algo como uma plástica ou coisa do gênero. Ainda, isto significa deixar de lado a opinião de milhões de brasileiros em detrimento do que alguns acham ser o melhor. Isso é democracia, meus caros? Não; isso, mais uma vez, tem outro nome.

Em seguida, para finalizar, vejamos outro tema, talvez não tão polêmico quanto o anterior, mas igualmente passível de confusão, trazido à tona no documento.

h) Realizar campanhas e ações educativas para desconstruir os estereótipos relativos às profissionais do sexo.

Pergunto-me que tipo de “ações educativas” serão realizadas para desconstruir tais estereótipos (trata-se, mesmo, de estereótipos?). Ensinarão as crianças nas escolas? Distribuirão panfletos ou colocarão cartazes nas zonas de prostituição? Campanhas na televisão? O que será? Não podemos prever. Nem o presidente sabe. E, no entanto, o documento já foi assinado…

Obviamente, o padre Paulo Ricardo adotou um discurso quase que totalmente religioso em sua homilia. Porém, independente disso, sua preocupação é realmente muito válida. Isto porque o texto do PNDH-3 é, como pudemos observar, difícil, incompleto e contraditório em alguns aspectos, o que pode – e vai – dar margem a várias interpretações. E essa brecha deixada pelo texto pode, sim, oferecer riscos à própria democracia no país, pois chega a contradizê-la. Resta saber se isso foi feito intencionalmente. Temo pela resposta que o tempo nos dará…

Para mais, acesse http://www.midiasemmascara.org/artigos/governo-do-pt/10680-codinome-pndh-3.html

Israel, Gaza e o relatório Goldstone

Olá, ghost readers! Sigo com inspiração reduzida (espero que isso seja momentâneo), embora contente com as novas que recebi na semana passada sobre algo que aguardava já há muito (em breve, portanto, possíveis novidades). Enquanto isso, deixo, para essa semana, um texto muito interessante reportando a declaração de um oficial inglês no que diz respeito aos eventos ocorridos na faixa de Gaza no ano passado. Vale a pena ler e tirar suas conclusões – se ainda não o fez. Uma ótima semana a todos (e que passe rápido como as anteriores)!

Militar inglês contesta relatório Goldstone sobre Gaza e defende exército de Israel

Numa declaração feita nas Nações Unidas pelo coronel Richard Kemp, 16 de outubro de 2009, no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, na 12ª Sessão Especial da ONU o Relatório Goldstone foi duramente atacado.

“Sou o ex-comandante das forças britânicas no Afeganistão. Servi com a Otan e as Nações Unidas; comandei tropas na Irlanda do Norte, Bósnia e Macedônia, e participei da Guerra do Golfo. Passei um tempo considerável no Iraque desde a invasão de 2003, e trabalhei na área de terrorismo internacional para o Comitê de Inteligência Integrado do
Governo do Reino Unido.

Senhor Presidente, baseado em meu conhecimento e experiência, posso dizer isto: Durante a Operação na Faixa de Gaza, as Forças de Defesa de Israel fizeram mais para proteger os direitos de civis em uma zona de combate do que qualquer outro exército na história da guerra.

Israel agiu deste modo enquanto enfrentava um inimigo que deliberadamente posicionou suas forças atrás dos escudos humanos da população civil.

O Hamas, como o Hezbolá, é especialista em manipular a mídia. Ambos sempre terão pessoas prontas a dar entrevistas condenando as forças israelenses por crimes de guerra. Eles são adeptos na arte de encenar e distorcer incidentes.

As Forças de Defesa de Israel encaram uma ameaça que nós britânicos não temos de encarar da mesma maneira. É a presunção automática, de muitos na mídia internacional, e grupos de direitos humanos
internacionais, de que as FDI (Forças de Defesa de Israel) estão sempre erradas, que abusam dos direitos humanos.

A verdade é que as FDI tomaram medidas extraordinárias para avisar aos residentes das áreas a serem bombardeadas em Gaza, lançando mais de dois milhões de folhetos e dando 100.000 telefonemas. Muitas missões que poderiam ter reduzido a capacidade bélica do Hamas foram canceladas para evitar baixas civis. Durante o conflito, as FDI permitiram que grandes quantidades de ajuda humanitária entrassem em Gaza. Dar ajuda literalmente nas mãos
de seus inimigos, é aos olhos da tática militar geralmente impensável. Mas as FDI assumiram os riscos.

Apesar de tudo isto, é claro que civis inocentes morreram. A guerra é um caos, e cheia de erros. Os britânicos, americanos e outras forças no Afeganistão e no Iraque erram, muitos dos quais são erros humanos. Mas erros não são crimes de guerra.

Mais do que tudo, as baixas civis foram uma consequência do modo de lutar do Hamas. O Hamas tentou deliberadamente sacrificar seus próprios civis.

Senhor Presidente, Israel não tinha escolha a não ser defender seus próprios cidadãos contra o ataque de foguetes do Hamas.

E digo isto mais uma vez: as FDI fizeram mais para salvaguardar os direitos dos civis em uma zona de combate
do que qualquer exército na história da guerra.

Obrigado, Senhor Presidente”.

Adaptado de: http://www.visaojudaica.com.br/pdf/ED85.pdf#page=21&zoom=100,0,0

You can read the UK commander’s report about the Goldstone report and the events in Gaza in English here:

http://www.unwatch.org/site/c.bdKKISNqEmG/b.5537773/k.291E/SelfDefense_is_not_a_Crime_of_War.htm

Twitter

Olá ghost readers! Passando rapidamente porque  o tempo anda curto – muito mais do que eu gostaria. Bem, já há algum tempo fui forçado a entrar na moda e fazer um twitter – totalmente contra a minha vontade, que fique claro. De qualquer maneira, quem quiser acompanhar os posts esporádicos sobre o que acontece (?) na pacata e sem graça vida (?) deste que vos escreve (?), fique à vontade para seguir (?):

 

http://twitter.com/kobigalon

 

 

Hi ghost readers! Just passing quickly ’cause time’s been very short to me – much more than I wanted. Well, some time ago I was forced to get into the new fashionable trend called Twitter (that was totally against my will, I have to say). Anyway, those who want to keep an eye on what happens (?) in the graceless life (?) of the one who’s writing these lines (?), feel free to follow me at (?):

 

http://twitter.com/kobigalon

 

 

 

Uma ótima semana a todos! Have a nice week!

And suddenly the ghosts became shadows.

Visita nada ilustre

Mahmoud Ahmadinejad

Mahmoud Ahmadinejad

A visita do presidente iraniano ao Brasil continua causando polêmica (e estaria ainda mais caso a mídia não tivesse agora um assunto bem mais bombástico para tratar). Não é para menos. Já há tempos, Mahmoud Ahmadinejad vem dando declarações polêmicas a respeito do Estado de Israel e, especialmente, do Holocausto – pondo em dúvida a importância ou mesmo a existência do mesmo. Mas quem é de fato Ahmadinejad, e com que autoridade tem dito tais coisas, chegando a utilizar-se até mesmo de uma assembleia da ONU como seu púlpito?

Segue, de maneira resumida, o currículo do sujeito:  o Irã de Ahmadinejad é hoje um dos países que mais desrespeita os direitos humanos; o governo de Ahmadinejad segue discriminando e perseguindo as minorias no país; o Irã vem investindo no desenvolvimento de armamentos nucleares – e pergunto-me como tais armamentos podem ser usados para fins “pacíficos”, como declara o governo iraniano;  Ahmadinejad criticou tanto o Cristianismo quanto o Judaísmo, proclamando o Islã como “a única religião capaz de salvar a humanidade”, numa tentativa clara de estimular a “guerra” religiosa.

Repito a pergunta postulada no início, agora de maneira mais completa: com que autoridade Ahmadinejad chama o Estado de Israel de “nazista”, pondo-se como o grande defensor da “causa palestina” (e questiono-me por que então não ajuda seus “irmãos” oferecendo-lhes parte de sua terra ), uma vez que seu próprio governo persegue de maneira feroz, e por motivo não outro senão religioso, as minorias de seu país? Por que o sr. Ahmadinejad não fala sobre isto em seus “aclamados” discursos? Com que autoridade Ahmadinejad minimiza a tragédia do Holocausto, dadas as inúmeras provas documentadas e testemunhas oculares? Por acaso estava ele lá, de mãos dadas com o führer? Tivesse nascido alguns anos antes, não seria de se estranhar…

Sim, este é o homem que estará em breve “visitando” nosso amado e pacífico país. Este é o homem que nossos governantes receberão com honrarias das quais, como deve estar claro, ele não é digno. Este é o homem que fez com que representantes de vários países se retirassem da assembleia da ONU, apenas para não ouvir seu discurso xenófobo. E, quem dera, pudéssemos nós, brasileiros, fazer o mesmo assim que o avião de Ahmadinejad tocasse nosso solo. Já que não é possível, limitemo-nos às faixas e a nossas vozes. E, quem sabe, tomates.

Por que convidar Ahmadinejad?

Olá a todos! Nesta semana que passamos pela data de recordação da Shoah (Holocausto) e que nos aproximamos da celebração de Yom Haatzmaut, o dia da independência do Estado de Israel (que se dará na próxima quinta-feira), posto aqui um pequeno e interessante comentário do diplomata Luiz Felipe Lampreia sobre a iminente visita do presidente iraniano, que há muito tem se posicionado contra Israel, chegando ao cúmulo de negar o Holocausto (e sobre isso ainda devo escrever) e utilizar-se de uma assembleia da ONU como tentativa de difundir suas ideias excusas. Sobre o texto abaixo, nada a acrescentar – concordo plenamente com ele. Um bom fim de semana!

Por que convidar Ahmadinejad?

Luiz Felipe Lampreia

O presidente do Irã é um dos mais perigosos atores da cena internacional. O espetáculo lamentável de seu discurso de ontem na conferência da ONU de combate ao racismo é prova de que Mahmud Ahmadinejad não é pessoa que se frequente. Durante meses,os delegados dos países membros discutiram o projeto de comunicado da conferência e haviam conseguido retirar afirmações controversas sobre Israel.Veio porém o líder iraniano destilar seu veneno no pódio de Genebra, com um sorriso de escárnio na boca, provocando a retirada do plenário de dezenas de diplomatas que não puderam tolerar a espetáculo. O próprio Secretário Geral da ONU , normalmente muito contido, sentiu-se indignado e afirmou que “nunca tinha assistido a este tipo de comportamento destrutivo numa assembléia, numa conferência, por qualquer país membro. Lamento o uso desta plataforma pelo presidente iraniano para acusar, dividir e até incitar.” O comportamento do presidente iraniano é tanto mais inaceitável quanto seu país é notório por praticar discriminação racial, perseguição religiosa e intolerância com minorias. Desde sua posse, Ahmadinejad tem-se notabilizado por atitudes agressivas. Às vésperas de uma eleição em que busca um segundo mandato, terá achado oportuno recrudescer. Pois bem, este é o próximo presidente a visitar o Brasil.Como poderá o presidente Lula, cujas credenciais democráticas são indiscutíveis, conviver com uma pessoa desse nível? Como justificar a presença em nosso país de um homem que prega valores e ações em tudo contrários aos nossos? Como explicar à comunidade internacional que o Brasil hospedará um líder que é descrito pelo Secretário Geral da ONU com as palavras acima citadas? Seria muito oportuno que o presidente Lula alegasse uma gripe ou coisa assim para desmarcar a visita deste sinistro personagem, cuja visita só pode trazer prejuízos ao Brasil.

# Luiz Felipe Lampreia é diplomata de carreira e foi ministro das Relações Exteriores de 1995 a 2001

O conflito

Pergunto-me por quê o período de férias sempre redunda em “férias criativas” – no sentido de que a criatividade parece igualmente tirar férias durantes esses meses  (embora eu esteja me dedicando quase que exclusivamente agora a um livro).

Por essa razão, o post de “reestréia” do blog, o primeiro desse ano de 2009, não é exatamente de minha autoria, mas reflete perfeitamente o que penso a respeito do polêmico atual conflito no Oriente Médio, a guerra Israel x Hamas. E, sim, enfatizo que minha opinião – e não apenas por minhas origens,  que fique claro – caminha na direção contrária à da grande maioria seguidora fiel da mídia sensacionalista.

Abraços a todos, um ótimo 2009,  e, aqueles que podem, aproveitem bem suas férias!

O conflito – kinder…

crianças palestinas

crianças palestinas

Israel 60 Years – e conto

Nesta semana, o Estado de Israel completou 60 anos de existência e independência. Superando todos os obstáculos que lhe surgiram, desde os primeiros anos até hoje, Israel tem se consolidado como uma democracia, e a despeito dos problemas decorrentes da mesma (que aparecem em qualquer lugar no qual seja adotada), tem destoado totalmente dos outros países da região, seja em avanços científicos, seja no conhecimento, seja na liberdade.  E talvez por isso (embora não unicamente  por esta razão)  desperte  tanta animosidade,  principal e especialmente nos países vizinhos. Que isso se registre: estou certo de que Israel permanecerá, superará os novos obstáculos que estão para surgir. Em sendo um exemplo de liberdade e respeito, oposto aos países islâmicos que o cercam, receberá sua recompensa. Parabéns, Israel! Mazel tov! E que venham os próximos 60, e 60, até 180 anos. Vida. E liberdade.

Dados os devidos cumprimentos, desejo a todos um ótimo fim de semana, e para não dizer que não postei “nada”, segue um conto, curto, mas ao mesmo tempo bastante abrangente, que aborda quase todos os temas sobre os quais costumo escrever. Abraços!

Sobre (quase) tudo (ou O sumário)

O sangue do jovem Adão foi derramado na terra. Naquela noite,  seu corpo ferido caiu sobre a areia do deserto. No nada. Pesar.

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