Capítulo 1

Julho 17, 2007

Olá a todos! Depois de uma semana de folga, retorno pra postar aqui um trecho do primeiro capítulo do meu livro (já havia postado o capítulo 5). Certamente sairá ainda esse ano, ou no começo do ano que vem.

Por isso, digam o que acharam – e por favor, sejam sinceros, não tenham medo de dizer que é ruim se acharem isso. Um abraço e uma ótima semana a todos!

CAPÍTULO 1 – DOZE ANOS DEPOIS… 

 

Doze anos se passaram. Nesse tempo, Lucas Bloystein e sua esposa, Carmina, tiveram dois filhos – Tom e Emily. Eles realmente criaram David como seu próprio filho, embora Lucas jamais cumprira a promessa de contar ao garoto quem seus pais verdadeiramente foram. David sabia que Lucas e Carmina eram apenas seus tios, mas nunca soube o que acontecera com seus pais verdadeiros. Sempre que ele perguntava, Lucas dizia que era uma história muito triste, ou então mudava de assunto. Talvez porque nem ele soubesse direito o que houvera.

Era uma manhã cinzenta, como sempre. E para ajudar ainda mais, o inverno estava começando, e por isso fazia muito frio, tornando muito mais difícil a “tarefa” de levantar da cama tão confortável, de sair de baixo das cobertas tão quentinhas, para ir para a escola. Sem dúvida era algo nada agradável. O despertador já havia tocado, e David sabia que se demorasse mais dois minutos para se levantar, sua tia Carmina iria entrar no quarto e berrar em seu ouvido com aquela voz de taquara rachada. Então decidiu fazer o enorme esforço de levantar de uma vez. “Pelo menos não vou ouvir a tia Carmina gritando logo cedo”, ele pensou. Depois de trocar de roupa e pentear os cabelos castanho-claros, David foi até a cozinha, onde já estavam os tios e o primo Tom (que era apenas dois anos mais novo que ele). Tio Lucas saía para o trabalho, e Tom também ia para a escola. Tia Carmina só levantava para lhes preparar o café da manhã, e já ficava acordada para arrumar a casa. A única “sortuda” que não precisava acordar cedo era Emily, que só tinha quatro anos e ainda não ia à escola. - Levantou sozinho hoje, mocinho! Muito bem! – disse a tia, enquanto fazia uma garrafa de café. David respondeu apenas levantando a sobrancelha direita, sem dizer uma palavra. Àquela hora não conseguia nem falar. Se sentou entre o tio e o primo. O cheiro do café que a tia preparava fez sua barriga roncar de fome. O tio, um homem um tanto rechonchudo, devorava uma fatia de pão com geléia de amora. Como ele tinha por costume retirar todas as casquinhas da parte superior do pão, David percebeu que o tio já havia engolido outras cinco fatias. “Temos sorte por sermos ricos”, ele pensou. Após o café, David escovou os dentes, pegou sua mochila, deu um beijo na tia e saiu com Tom rumo à escola. Poderiam usar as vassouras voadoras novíssimas que haviam ganhado no último dia natalício; assim chegariam na escola bem mais rápido do que caminhando, como David preferia. Ele não gostava de vassouras voadoras; talvez porque já tivesse levado vários tombos, e até hoje não soubesse controlá-las direito. Ou por algum outro motivo. E apesar da insistência de Tom, os dois iam para a escola a pé todos os dias. Alguns minutos depois, eles chegaram à escola, que ficava bem ao lado do prédio onde funcionava a antiga biblioteca de Lostland, uma construção enorme e antiga, até um pouco assustadora, com enormes colunas pontiagudas que pareciam chegar perto do céu e até mesmo grudar nele, já que o prédio tinha uma cor acinzentada. Diziam que lá ainda havia alguns livros velhos e empoeirados, mas que não serviam para nada além de ocupar espaço. A nova biblioteca, onde estavam todos os milhares de livros de ciências físicas e mágicas, ficava dentro da escola, num pavilhão especial. Como aluno do sexto ano, David era um freqüentador assíduo. Mais por obrigação do que por vontade própria. Logo que entraram no pátio da escola, David encontrou seus amigos, Henrique, Miriam e Charlie, todos da sua classe. Enquanto ele ficou no pátio para conversar um pouco, Tom foi direto para sua sala, e combinou de encontrá-lo no portão da escola na saída. Os quatro se davam muito bem. Se conheciam desde o primeiro ano, e desde o terceiro estudaram sempre na mesma classe. Praticamente não se desgrudavam. Mas David tinha afinidade ainda maior com Henrique; ele o considerava seu melhor amigo. Havia coisas, por exemplo, que ele só contava para Henrique; e também coisas que Henrique só contava para ele. Eles conversavam animadamente, quando a coruja-sino cruzou o pátio piando, num vôo raso, anunciando que já era hora de entrar nas salas para a aula começar. David, Henrique, Miriam e Charlie apenas se olharam com uma cara de desânimo. Isso porque a primeira aula seria logo com o professor Thomas Cliath, que dava aula de Encantamentos, e que todos diziam ser o pior professor da escola. Era um homem muito estranho, pálido como uma folha de papel, e que não sorria nunca. Era muito exigente, e sua matéria uma das mais difíceis. Por isso todos os alunos tinham medo de acabar reprovando. Quando eles entraram na sala, o sr. Cliath já estava lá (como sempre). Todos se sentaram. E como de costume o professor começou a falar sem sequer dizer “bom dia”.