Cidade-planeta
Março 28, 2008
Olá! Após uma semana especial (devido a uma festa especial), retorno à “atividade” com um conto (ou seria crônica?) para comemorar uma data especial. Trata-se do aniversário de alguém (especial) que eu conheço praticamente desde que nasci. Amanhã, dia 29 de março. Um abraço a todos! Mazel tov!
Cidade-planeta
Caminho pelo calçadão preto e branco, meditativo como sempre, mas um pouco mais atento do que de costume. Observo a multidão uniforme e solitária de pessoas passando por mim. As pessoas daqui não são como as dos outros lugares. As pessoas daqui não me olham no rosto; não me cumprimentam.
Espere! Eu também não o faço…
Dou uma olhada no céu e só vejo nuvens cinzentas. Nuvens sombrias e tristes. Nada de sol. Nem deu as caras. O sol daqui também não é como o dos outros. O sol daqui não é, por exemplo, como o de Atenas. Se os gregos tivessem vivido aqui talvez não o temessem tanto, porque o sol daqui, pobre coitado, não vê quase nada. Passa a maior parte do tempo escondido atrás das nuvens, mais fortes. Como não pode vencê-las, dorme.
Vou abaixando a cabeça e noto que os prédios daqui também são diferentes. Diferentemente quadrados e diferentemente cinzentos. Pálidos. Tristes. Frios. Como o largo prédio da esquina, cheio de janelas, pelo qual passo. Este ainda se alegra em certa época do ano, mas depois volta à tristeza habitual.
Adentro na praça, que se confunde com o calçadão. As árvores são quase tão cerradas quanto as de uma floresta. Como as pessoas. Ouço os pássaros cantando; preparam-se para o descanso. Os pássaros daqui, de igual modo, não são como os dos outros (me lembro de ter ouvido algo parecido). Os pássaros daqui entoam melodias tristes, porém belas. Talvez apenas reflitam as pessoas, as nuvens, o prédio, a praça…
Este lugar realmente não é como os outros lugares. Triste e solitário, como as pessoas, as nuvens, os prédios, os pássaros; e por isso mesmo unicamente belo. Começa a escurecer. Hora de voltar. Pra quê? Deito no banco da praça e me ajeito por ali mesmo. Afinal não são todos os lugares que fazem com que eu me sinta em casa…