Visita nada ilustre
Abril 30, 2009

Mahmoud Ahmadinejad
A visita do presidente iraniano ao Brasil continua causando polêmica (e estaria ainda mais caso a mídia não tivesse agora um assunto bem mais bombástico para tratar). Não é para menos. Já há tempos, Mahmoud Ahmadinejad vem dando declarações polêmicas a respeito do Estado de Israel e, especialmente, do Holocausto – pondo em dúvida a importância ou mesmo a existência do mesmo. Mas quem é de fato Ahmadinejad, e com que autoridade tem dito tais coisas, chegando a utilizar-se até mesmo de uma assembleia da ONU como seu púlpito?
Segue, de maneira resumida, o currículo do sujeito: o Irã de Ahmadinejad é hoje um dos países que mais desrespeita os direitos humanos; o governo de Ahmadinejad segue discriminando e perseguindo as minorias no país; o Irã vem investindo no desenvolvimento de armamentos nucleares – e pergunto-me como tais armamentos podem ser usados para fins “pacíficos”, como declara o governo iraniano; Ahmadinejad criticou tanto o Cristianismo quanto o Judaísmo, proclamando o Islã como “a única religião capaz de salvar a humanidade”, numa tentativa clara de estimular a “guerra” religiosa.
Repito a pergunta postulada no início, agora de maneira mais completa: com que autoridade Ahmadinejad chama o Estado de Israel de “nazista”, pondo-se como o grande defensor da “causa palestina” (e questiono-me por que então não ajuda seus “irmãos” oferecendo-lhes parte de sua terra ), uma vez que seu próprio governo persegue de maneira feroz, e por motivo não outro senão religioso, as minorias de seu país? Por que o sr. Ahmadinejad não fala sobre isto em seus “aclamados” discursos? Com que autoridade Ahmadinejad minimiza a tragédia do Holocausto, dadas as inúmeras provas documentadas e testemunhas oculares? Por acaso estava ele lá, de mãos dadas com o führer? Tivesse nascido alguns anos antes, não seria de se estranhar…
Sim, este é o homem que estará em breve “visitando” nosso amado e pacífico país. Este é o homem que nossos governantes receberão com honrarias das quais, como deve estar claro, ele não é digno. Este é o homem que fez com que representantes de vários países se retirassem da assembleia da ONU, apenas para não ouvir seu discurso xenófobo. E, quem dera, pudéssemos nós, brasileiros, fazer o mesmo assim que o avião de Ahmadinejad tocasse nosso solo. Já que não é possível, limitemo-nos às faixas e a nossas vozes. E, quem sabe, tomates.