A Incapacidade de ser verdadeiro
Fevereiro 26, 2008
Olá a todos os ghosts! Nessa semana as aulas recomeçam (e a inspiração também!), e com isso, por incrível que pareça, devo estar postando mais no blog. Pra essa semana, um ótimo conto de Carlos Drummond de Andrade, publicado na coletânea Histórias para o rei, seleção de Luzia de Maria, publicada pela Record. Esse conto é divertido e diz muito… Abraço! E com vocês… Drummond!
A Incapacidade de ser verdadeiro
Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões-da-independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas.
A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias.
Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:
- Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia.
Onde estão os atos?
Fevereiro 11, 2008
Olá a todos! Finalmente, após um longo (e ponham longo nisso) sem postar aqui, por vários motivos particulares, estou de volta. Dessa vez, não com um texto meu, mas com um excelente poema do meu amigo e ach, músico e também poeta
Pedro Henrique do Amaral. Leiam com atenção e entendam. Abraços a todos!
Onde estão os atos?
O destino de muitos, quem?
Quase sempre pessoas, fantasias?
Sombras, mitos, carne, eu?
Sem espírito, mas divino, como?
Certeza, não; mas sim perguntas,
Sem resposta, sim; Sombras ao meu lado.
Caminhos sem final, trilhas aterradas,
A verdade, escura e fria; aroma de piedade.
Fortes mãos, corpos fracos.
Somente energia; Matéria sombria.
Árvores velhas sobre a terra, frias
Verdade, ou não quase a verdade, enigmas.
Eu, alma, espírito divino;
Consolo do alto, amigo oportuno
Resgate, com morte, mas sempre a vida…
Pensamentos complicados… de uma alma aflita,
Mas agora,
Onde estão os Atos?
Pedro Henrique do Amaral