As Duas Chamas
Dezembro 16, 2007
Olá a todos! Para essa semana, mais um conto – para refletir. É possível que alguns não entendam o contexto, mas o significado é quase “universal”. Um abraço, e uma ótima semana, ghosts!
As Duas Chamas
Bruno morava em um apartamento. Desde sempre. Pelo menos desde quando podia se lembrar. Tinha 9 anos, e jurava ter passado no mínimo 8 e meio ali dentro. Preso. Era como se sentia. Aprisionado naquele lugar escuro e frio. Quase nunca saía, quase nunca passeava. Os pais trabalhavam a semana inteira, e no final de semana não queriam sair. Era do apartamento para a escola, da escola para o apartamento. E só. Tudo muito rápido.
Às noites, Bruno mantinha a luz do quarto acesa. Tinha pavor do escuro. As luzes dos prédios ao redor apagavam-se cedo, e até mesmo lá fora tudo ficava muito sombrio. Exceto numa noite. Ah, aquela noite era especial… Tanto que Bruno ficava esperando ansiosamente por ela; vinha a cada 7 dias. Quando finalmente chegava, ele punha-se de joelhos sobre a cama, apoiava os cotovelos na beirada da janela e esperava. Já sabia o que iria acontecer. Lá, na janelinha do prédio que ficava em frente a sua janela, duas chamas surgiam, como num passe de mágica. Duas luzes que brilhavam, e brilhavam, e brilhavam… Iluminavam tudo ao redor. Até o quarto.
Quando via as duas chamas, Bruno se lembrava de coisas que não tinha vivido. Não lembrava, imaginava. Sim, lembrava. E imaginava. As memórias e as sonhos se misturavam em sua mente, formando uma coisa só. E ficava ali por horas, observando-as, como um daqueles vigilantes que guardam coisas importantes e que não podem nem piscar. Contudo, não se importava. Gostava do seu serviço. Estava certo de que era muito bem pago – poder observar as chamas era um ótimo salário.
As chamas permaneciam fortes, vivas. Não se apagavam. Bruno ficava admirado. Deviam mesmo ser mágicas. Como queria estar lá, naquele prédio, na frente das duas luzes, junto com quem quer que fosse que tinha o poder de acendê-las – se podiam dispor de tempo para acendê-las era porque eram livres. Lá ele também seria livre, com certeza. Livre e feliz. Ah, se pudesse sair pela janela de seu quarto e voar até a janela onde elas estavam… Certamente o receberiam; o acolheriam, de bom grado. Lá estaria quentinho, e nunca ficaria escuro. As chamas durariam para sempre. Queria estar perto daquelas luzes. Queria ser as luzes.
Em noites como aquelas, Bruno não se deitava - acabava adormecendo ali, de joelhos, os cotovelos e a cabeça na beira da janela. E no entanto, nunca dormia tão bem. Ali, iluminado pelas duas chamas. Dormia tranqüilo, pois sabia que também seria guardado por elas. Estariam ali a noite toda, e por isso não ficaria escuro. Estaria seguro. Até o amanhecer de um dia que se tornaria igualmente especial…
Dezembro 17, 2007 às 2:46 pm
Essa duas chamas me lembraram o fim do ano, há sempre uma esperança pra saír dessa prisão!
Dezembro 17, 2007 às 6:11 pm
Olá, Marina! rs, sim, sempre há… cabe a nós encontrá-la!
Um abraço e obrigado pela visita!
Dezembro 18, 2007 às 4:12 pm
Oi Jacob
ai que doeu o coraçao esse conto, entretanto gostei! Todo mundo já sentiu assim um dia.
um abraço, kleine, se cuida!
Dezembro 18, 2007 às 6:27 pm
Olá, Tahiana! Quanto tempo!
Sim, é verdade, todos.. Mas as duas chamas estão aí pra isso…
Abraço, obrigado pela visita!
Dezembro 20, 2007 às 8:54 pm
Hola!!!
Que belíssimo conto! Provavelmente as chamas são a esperança do menino em um dia ser livre… E enquanto elas se acenderem, ele terá essa esperança.
Muito bom, gostei muito.
Até mais, meu caro. Beijo.
Dezembro 21, 2007 às 6:18 pm
Um belo conto meu amigo.
Dezembro 24, 2007 às 11:34 pm
Hola, Sarah!
Obrigado! É isso aí.. as chamas podem ter muitos significados..
Ah, não esqueci do meme; ainda hei de respondê-lo, ok?
Olá, Relsi, valeu! E obrigado pela visita!
Janeiro 17, 2008 às 12:38 am
Olá!
mto legal seu texto =)
fiquei curiosa p entender algo..
o fato de as chamas se acenderem apenas a cada 7 dias tem algum significado?
bjos!
Janeiro 17, 2008 às 6:17 pm
Lembrar de coisas que não se viveu… sempre fiz isso. Bom texto!
Desculpe pelo sumiço.
Janeiro 21, 2008 às 2:16 pm
Olá, Kessia!
Obrigado! E, bom, quanto ao fato de as chamas serem acesas a cada 7 dias tem sim um significado; é a chave para se entender completamente o texto.
Olá, Teo! Obrigado.. e sem problema! Eu sei que o tempo anda curto, pra todos! Abraço!