As águas rebeldes

Junho 29, 2007

Uma historinha judaica, de reflexão para a semana. Um abraço!

“No terceiro dia da Criação, as águas cobriram a face da terra. Então D-us ordenou que as águas se juntassem para que pudesse aparecer a terra seca. O príncipe do mar obrigou as ondas a retrocederem e, com isso, surgiram as montanhase as colinas, elevando-se da terra sob o azul do céu. Depois o príncipe do mar levou as águas para os oceanos profundos. Quando as águas tomaram consciência desse fato, revoltaram-se e tentaram novamente, em sua arrogância, cobrir a terra. O príncipe do mar repreendeu-as e as preveniu para não desobedecer ao grande Criador. Elas se negaram a ouvi-lo e estavam prestes a submergir a terra quando D-us censurou-as por sua desobediência e imediatamente as dominou, mantendo-as abaixo do nível da terra. Visando refrear o mar, Ele colocou a areia como limite. Sempre que a água se sente tentada a se rebelar e a ultrapassar esse limite, dá com a areia e volta para o lugar que lhe foi designado.

Quando o mar viu a areia pela primeira vez, disse: “Por que devo temer a areia? Então vou acreditar que esses grãos minúsculos podem me conter?”

Os minúsculos grãos de areia escutaram as palavras de orgulho do mar. Sussurraram entre si: “Nada de nos assustarmos com o orgulho das ondas. É bem verdade que somos, cada um de nós, muito pequenos. E daí? Se nos irmanarmos e permanecermos unidos, poderemos fazer o que o bom Criador espera de nós. Sabemos bem o que é isso. Fomos criados para refrear o grande mar, o que não conseguiremos se brigarmos e nos separarmos. Então, seremos inevitavelmente levados pelas ondas. Vamos prometer uns aos outros que permaneceremos sempre juntos. A união é a força. Então não teremos motivos para temer suas águas em fúria, nem seu rugido, nem suas espumas”.

D-us abençoou essa união e, até os dias de hoje, as areias douradas mantêm as ondas orgulhosas sob controle. “

Pirkê Rabi Eliezer, 5.

Contos da Tradição Judaica (Jewish Fairy Tales), seleção de Gerald Friedlander, tradução de Cecília Casas. Landy Editora.

Sobre o blog

Junho 18, 2007

writing

Há algum tempo atrás (no antigo blog) fui convidado por meu amigo Teo a participar do “meme” – um bate-papo sobre o porquê escrevo e quais os objetivos do blog. Vou “repostar” minhas respostas aqui, com algumas alterações, já que esse blog nasceu diferente do anterior, pra que me conheçam melhor. Um abraço! Boa semana!

O meme

Bem, fui convidado pelo meu amigo Teo Victor, do http://bichoderondonia.com (ele é chique, bem!) para um meme – não perguntem o que essa palavra significa; eu também gostaria de saber! Pelo que entendi se trata de algo como um “questionário”, talvez um bate-papo sobre a maneira que se bloga (é a primeira vez que uso este termo). Desde já aviso que para mim é uma tarefa nada fácil – sou péssimo para essas coisas. Mas prometo que vou responder tudo com a maior sinceridade, revelando os mais profundos sentimentos do meu coração perante o ato de blogar!

1)Finalidade. Geralmente escrevo sobre coisas que estão ao meu redor e que acontecem “por aí”, seja em forma de textos discursivos, poemas, ou contos.  Este blog não tem um tema específico, por isso às vezes devo usá-lo inclusive para me expressar sobre certos fatos que ocorreram em minha vida.


2)Da prática da escrita. Posso dizer sem sombra de dúvida que só escrevo quando estou inspirado, pelo que quer que seja. Por essa razão o blog eventualmente terá  “lacunas”, quer dizer, às vezes poderei passar semanas sem postar. Isto pode acontecer (como foi no outro blog)  principalmente durante as férias; afastado do espírito literário que a universidade proporciona, não me sinto inspirado a escrever. Não costumo escrever só por escrever, sempre tem de haver um objetivo, algo em mente, uma crítica, um comentário, um sentimento forte que não se deixa ser domado.

3)Do interesse em atrair visitantes. É claro que, como qualquer outro, não escrevo só para mim mesmo. Mas não escrevo para agradar ou desagradar; escrevo o que eu penso. Enfim, o que espero é que simplesmente outras pessoas (ainda que sejam poucas), que compartilhem das mesmas idéias, ou que pensem diferente, passem por aqui e levem algo de bom, e possam fazer profundas reflexões através desse humilde blog.

4)Sobre o que eu não faço. Procuro não escrever sobre coisas que não dizem nada (embora talvez já tenha feito isso). Também não uso palavras de baixo calão (se tiver de xingar alguém, que seja com estilo!). Não escrevo coisas que lembrem “revolução”, “Che Guevara”, “socialismo”, etc. Isto porque essas coisas já são, na minha opinião, muito “lugar-comum” (common sense). Quem vive nos meios universitários sabe do que eu falo. Além do que, por mais incrível e estranho que pareça, sou direita-conservador roxo! :D
Por fim, jamais posto um texto que não seja meu sem citar a fonte (não faço aos outros o que não gostaria que fizessem comigo).

5)Sobre as dificuldades. Sou muito exigente. É difícil eu achar que um texto que escrevo esteja realmente bom. Sempre acho que poderia ter algo mais, ou algo menos, ou que não está bem escrito, ou que usei sentenças e termos muito complicados. E por isso a maior dificuldade para mim é não receber muitos comentários; é mais do que importante que outros digam o que acharam – são os leitores que enxergam aquilo que o escritor não consegue. Por isso, se o texto estiver horrível, por favor, digam. Ficarei muito feliz (e isso é muito mais sincero que irônico).
Finalmente, me junto aos milhões de sofredores, para citar a enorme dificuldade em usar a Brasil Telecom. Já aconteceu de eu estar escrevendo um texto, terminá-lo e na hora de postar a internet ter caído. Resultado: perdi o texto. Imaginem minha felicidade! Nessas horas é que é difícil segurar a língua, mas o melhor a fazer é respirar fundo, e esperar pacientemente alguns minutinhos até a internet voltar (e postar rapidamente antes que caia de novo).

Um abraço!

Amizade

Junho 8, 2007

Algo que recebi por e-mail; um texto simples, mas muito bonito,  e que me fez recordar certos acontecimentos da vida.  À primeira vista parece “senso comum”, mas é bem profundo no que diz respeito ao ser humano (tanto verbo quanto substantivo). Um abraço, bom feriado e fim de semana! ;)  

“ Um filho pergunta à mãe:
-Mãe, posso ir ao hospital ver meu amigo? Ele está doente!
-Claro, mas o que ele tem??
O filho, com a cabeça baixa, diz:
-Tumor no cérebro.
A mãe, furiosa, diz:
-E você quer ir lá para quê? Vê-lo morrer?
O filho lhe dá as costas e vai.
Horas depois ele volta vermelho de tanto chorar, dizendo:
-Ai mãe, foi tão horrível, ele morreu na minha frente!
A mãe, com raiva:
-E agora?! Tá feliz?! Valeu a pena ter visto aquela cena?!
Uma última lágrima cai de seus olhos e, acompanhado de um sorriso, ele diz:
-Muito, pois cheguei a tempo de vê-lo sorrir e dizer:
‘-EU TINHA CERTEZA QUE VOCÊ VINHA!’ “

Olá! Para “estrear” o blog, vou postar (mais) um dos capítulos do meu novo livro David Bloystein – os Livros Secretos. Como sempre, se alguém ler, por favor, preciso saber se está horrível ou se só ruim mesmo. :D

Um abraço!

CAPÍTULO 5 – OS LIVROS SECRETOS

 

 

Para o que quer que fosse, o cavalo estava indo na direção dos Montes Ari, na parte ocidental de Lostland, uma região supostamente desabitada e proibida por ordem da Guarda Real. Enquanto voava por cima das casas, David gritou por socorro, mas justamente naquela hora parecia não haver ninguém pelas vielas.

O cavalo passou pelos primeiros montes, indo parar somente numa região um pouco mais plana, um vale, bem no meio dos Montes Ari. O cavalo desceu e com um pulo derrubou David de suas costas.

E qual foi a surpresa de David quando olhou para o animal. Não era um cavalo, e sim um pégaso, todo branco e robusto, com duas enormes asas. David já havia ouvido falar sobre os pégasos, mas nunca visto um na sua frente. Diziam que os pégasos não existiam mais, mas ali estava um, olhando para ele.

- Eu é que devia estar com os olhos esbugalhados! Você quase arrancou minha crina! – disse o pégaso, e David, ainda sentado no chão, deu um pulo de susto.

- D-desculpe! – fez David, se levantando – Eu pensei que os pégasos não existissem mais!

- E não existem! – respondeu o pégaso – Eu sou o último!

- P-puxa, eu…

- Tudo bem. E não precisa ter medo, eu trouxe você aqui por ordem do… – o pégaso olhou para os lados, desconfiado – Grande Soberano!

David ficou ainda mais surpreso. Até então ele pensava ser o único a saber sobre o Grande Soberano. Haveria outras pessoas (ou “coisas”) em Lostland que também teriam tido a experiência que ele teve? Outros visitados pelo Mensageiro? Ou que conheciam o próprio Grande Soberano, em pessoa?

- E você, é…pégaso…

- Yoysher. Meu nome é Yoysher.

- Ã, Yoysher, você já viu o… Grande Soberano?

- O quê? – fez Yoysher, logo em seguida dando uma gargalhada.

- Eu disse alguma coisa engraçada? – perguntou David, um tanto contrariado.

- Desculpe, David. É que não se pode ver o Grande Soberano. Pelo menos não aqui! O Mensageiro dEle foi quem me deu a ordem.

- E você viu o Mensageiro?

- Se vi! Você nem imagina. Ele não é só um mensageiro… Bom, mas vamos ao que interessa! Viemos até aqui para que você saiba o que deve fazer; vim lhe trazer sua primeira missão.

- Ah, claro, o Mensageiro tinha dito que eu ia receber as instruções!

- Sim. Deixe-me contar. Existem cinco livros muito antigos, que contam toda a história de Lostland, a verdadeira história, desde o seu princípio. Esses livros foram escritos por pessoas que serviam ao Grande Soberano, há muito tempo atrás.

- E onde estão esses livros?

- Isso é o que você terá de descobrir, David. O “príncipe” Fintster, há mais de cem anos, ordenou que os livros fossem escondidos, que sumissem com eles, pois não é bom para ele que as pessoas saibam a verdade. Sua missão é descobrir onde estão os livros, e resgatá-los!

- Mas o Grande Soberano não sabe onde eles estão? Quer dizer, ele não pode nos mostrar?

- O Grande Soberano sabe todas as coisas. Mas deixe-me dizer um velho ditado, David. “Aquilo que o homem pode fazer, o Grande Soberano não faz; mas aquilo que o homem não pode fazer, isso o Grande Soberano faz”. Entendeu? Você pode se esforçar e encontrar os livros.

- Sim, mas se o príncipe Fintster não quer que os livros sejam encontrados, com certeza devem estar trancados a sete chaves! E também deve ter muitos guardas tomando conta!

- Certamente. Mas não se esqueça que o poder do Grande Soberano é maior que qualquer magia; e Ele está com você. Olhe aquelas flores.

O pégaso Yoysher apontou com a cabeça na direção de algumas pequenas flores laranjadas que estavam bem ao pé de uma das montanhas. Ele explicou que aquele era o único local onde nasciam aquelas flores. Depois, disse a David que pegasse cinco delas e as guardasse.

- Para quê isso? – fez David, não entendendo.

- Essas são chamadas “flores-do-leão”. Serão suas armas. Só use quando realmente precisar. – respondeu Yoysher.

- “Armas”? Essas… florzinhas?

O pégaso deu uma risadinha, e pediu para que David tomasse outra flor e depois a jogasse sobre uma grande pedra que estava ali no vale. David o fez, e para sua surpresa, quando atirou a flor, a pedra começou a rachar, até que se despedaçou por completo.

- Uau! – foi só o que o garoto conseguiu dizer.

- Mas lembre-se: a flor-do-leão não funciona contra pessoas e seres; somente contra objetos. Agora é hora de ir!

- Você não vai me deixar aqui, vai?

- Há, há, claro que não. Vou deixá-lo na porta de sua casa. Suba!

- Ótimo!

David montou novamente o pégaso, que bateu as asas e voou de volta para o povoado de Lostland. No caminho, Yoysher pediu a David que não contasse nada para Henrique. Isto porque, segundo o pégaso, Henrique estava envolvido demais com magia, e não iria entender se lhe dissessem a verdade sobre isto.

- É, realmente ele gosta muito de magia. – confirmou David – Mas é meu melhor amigo…

- Eu sei, David, mas o coração dele aponta na direção contrária do seu.

- Como assim, Yoysher?

- Logo você vai entender. Mas não se preocupe, no tempo certo ele saberá de tudo, e terá a oportunidade de escolher em que lado ficar.

Finalmente o pégaso pousou, bem em frente à casa de David. Mais uma vez, não havia ninguém por perto; os dois não foram vistos. Ainda antes que Yoysher fosse embora, David fez outra pergunta:

- E por onde devo começar a busca pelos livros? Eu não faço idéia…

Yoysher então disse a David que fosse ao vilarejo (a área pobre) de Lostland, e procurasse a sétima casa da sétima viela. Lá, ele saberia por onde começar, e encontraria ajuda. Yoysher já começava a bater as asas quando David perguntou novamente:

- E quanto ao Charlie e à Miriam? Não posso contar pra eles?

- Vocês não tinham combinado um encontro? Vá encontrá-los! Talvez você tenha uma surpresa…. – disse o pégaso, levantando vôo – E estarei por perto quando precisar de mim! É um prazer servir ao escolhido do Grande Soberano!

- O prazer é meu! – disse David, quando Yoysher já estava longe.

Logo depois David foi correndo para a lanchonete onde havia combinado se encontrar com os amigos. O que Yoysher quisera dizer com “grande surpresa”? David estava realmente curioso e ansioso para saber.

Jacob Galon

 Olá! Sejam bem-vindos! Esse é meu novo velho blog, em novo “local”. Aqui tem mais espaço, é mais “ajeitadinho”, enfim, melhor que o anterior.

 À tarde (noite), já vou postar alguma coisa por aqui. Um abraço! A guten tog! ;)

Hello world!

Junho 1, 2007

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