Julho 1, 2008

Depois de um longo período de hibernação (provocado, obviamente, pelas últimas e agitadas semanas do semestre na universidade), retorno, mas não com um texto meu (ainda). Uma notícia um tanto quanto peculiar me chamou a atenção. Para mim, ela mostra algumas coisas - e não apenas que até no Judaísmo existem os “exageros”. Boa semana a todos!

Ultra-ortodoxos proíbem venda de tocadores MP4 em Israel

Considerado ‘eletrônico do diabo’, comerciantes não podem estocar esse produto.
Duas lojas que desobedeceram a determinação foram atacadas.

Um tribunal ultra-ortodoxo de Jerusalém proibiu a venda de toca-MP4, tocadores digitais de música que também reproduzem vídeos – a decisão não tem valor legal. Considerado “uma ferramenta do diabo que leva as pessoas ao pecado”, esse tipo de aparelho foi proibido pelo tribunal de ser vendido ou estocado em lojas, segundo a edição on-line do jornal “Yediot Ahronot”. Dois estabelecimentos de Jerusalém que desobedeceram a “determinação” foram vandalizados.

O “Yediot Ahronot” afirma que avanços tecnológicos sempre representaram um problema para a comunidade ultra-ortodoxa. “Com freqüência os rabinos optam por banir qualquer contato público com gadgets [eletrônicos] desconhecidos, com medo de que seus usuários sejam expostos a conteúdo impróprio. O mesmo acontece com os toca-MP4 que, por exibirem vídeos, tornaram-se a mais nova ameaça à castidade”, diz a publicação.

A luta contra esses eletrônicos atingiu seu ápice na semana passada, quando a loja de um fornecedor de toca-MP4 foi vandalizada – localizada em Meah Shearim, no subúrbio de Jerusalém, ela teve sua janela e vitrines quebradas. Outro estabelecimento, este em Shabbat Square (Jerusalém), também foi incendiado. A polícia informou que vai investigar os dois casos.

Testemunhas ouvidas pelo “Yediot Ahronot” disseram que isso já era algo esperado, pois semanas antes do ataque estudantes já protestavam em frente aos estabelecimentos contra a venda dos eletrônicos considerados proibidos.

Além disso, os donos das lojas que comercializavam os toca-MP4 viraram alvo de campanha negativa. “Há uma praga terrível, fazendo vítimas diariamente. Esses aparelhos pecaminosos foram proibidos pelos rabinos, mas ainda são encontrados. Seus distribuidores diabólicos não querem nada além de levar o povo de Israel ao pecado, com filmes e outros conteúdos abomináveis”, dizia um dos anúncios.

Outro texto também distribuído contra os comerciantes informava público sobre a proibição da venda dos MP4. “Esse pequeno aparelho é uma ferramenta do diabo para ganhar acesso a nossas casas protegidas, disfarçado como uma forma de você ouvir lições do Tora [cinco primeiros livros da Bíblia].”

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/

Olá a todos! Para essa semana, um (outro) poema de meu amigo Pedro, tratando de um assunto que, posso dizer, muito me chama a atenção (talvez um dos meus ‘favoritos’ para escrever sobre). Na correria, mas já não tanto, sigo postando pouco, mas os ghost readers fiéis podem ter a certeza de que este blog não irá parar (de vez), não enquanto houver vida. E com vocês, “V-I-D-a”. Abraços!

V-I-D-a

Vida vivida vencida
Várias videiras varridas
Véus, vinhos, vizinhas
Vozes, valores, vigília

Ímpeto, ímpio,impulso
Indivíduo inquieto indouto
Infalível infame indulto
Impacto ímpar imposto

Deletério deleite devasso
Derrocado depravado derrotado
Dádivas dos degenerados ditos
Desfazendo dignidade de delitos

ardil anjo altivo
antegozo airado adúltero
absorto, acólito à alma
amante ávido até a

MORTE…
Fim

Pedro Henrique do Amaral

Nesta semana, o Estado de Israel completou 60 anos de existência e independência. Superando todos os obstáculos que lhe surgiram, desde os primeiros anos até hoje, Israel tem se consolidado como uma democracia, e a despeito dos problemas decorrentes da mesma (que aparecem em qualquer lugar no qual seja adotada), tem destoado totalmente dos outros países da região, seja em avanços científicos, seja no conhecimento, seja na liberdade.  E talvez por isso (embora não unicamente  por esta razão)  desperte  tanta animosidade,  principal e especialmente nos países vizinhos. Que isso se registre: estou certo de que Israel permanecerá, superará os novos obstáculos que estão para surgir. Em sendo um exemplo de liberdade e respeito, oposto aos países islâmicos que o cercam, receberá sua recompensa. Parabéns, Israel! Mazel tov! E que venham os próximos 60, e 60, até 180 anos. Vida. E liberdade.

Dados os devidos cumprimentos, desejo a todos um ótimo fim de semana, e para não dizer que não postei “nada”, segue um conto, curto, mas ao mesmo tempo bastante abrangente, que aborda quase todos os temas sobre os quais costumo escrever. Abraços!

Sobre (quase) tudo (ou O sumário)

O sangue do jovem Adão foi derramado na terra. Naquela noite,  seu corpo ferido caiu sobre a areia do deserto. No nada. Pesar.

Aos meus olhos

Maio 5, 2008

Olá a todos! Após um novo período de ausência retorno com um novo conto. Escolhi este conto em memória da grande tragédia ocorrida décadas atrás. Semana passada tivemos a data “oficial” da lembrança desses eventos, embora para aqueles que os viveram a data oficial é sempre “hoje”. A memória, e só ela, os acompanha todos os dias. Um abraço a todos e uma ótima semana!

Aos meus olhos

Na multidão uniforme eu me vejo. Multidão reduzida, comparada à do início. Não há muitos vovôs, nem vovós, nem crianças. Eu. Caminhamos livres. Livres como? Eu não sabia o que era. Não entendia o que meus olhos viam. E nem poderia. Caminhamos uniformes. Listrados. Eu não. Não havia uniforme para mim, nem número, pois não devia estar aqui agora. Mas vivi. Sobrevivi. Como poucos de muitos. Aos meus olhos caminho solitário.

No caminho, me recordo do dia em que o sonho se desfez, transformando-se em pesadelo. Meus pais. Era dia de Sábado e estávamos todos animados, contentes. Meu pai me colocara em seu colo (embora eu já não fosse mais tão pequeno) e me ensinava as preces matinais. Minha mãe, como de costume, trajava belas vestes, suas melhores, e caminhava sorridente pela casa, descansada. Não podiam imaginar o que viria. Ninguém poderia. Eu penso. Não antes. Quando invadiram minha casa abruptamente, meu pai imaginou. Entendeu. Num ato corajoso e desesperado, lançou-se contra um deles, gritando para que fugíssemos. Mas estávamos paralisados, surpresos. Eu estava. E vi a vida de meu pai sendo derramada na minha frente. Até as lágrimas estavam paralisadas (elas não foram derramadas), e também o grito. Fomos todos levados, espremidos como animais, com e como os muitos outros. Minha mãe, não a vi mais depois que chegamos ao campo. Eu soube mais tarde que ela adoecera e morrera. De tristeza. Como meu pai, deixara de existir. Aos meus olhos viraram estrelas.

No caminho, paro e reflito. Penso em voltar, desejo voltar. Lá estaria mais perto deles, do jeito que fosse. Meu lugar não é aqui, com a multidão. Mas sou empurrado por ela. Me querem. Me carregam uniformemente em seu meio. Não há como voltar. Devo seguir em frente. Para onde? Só me restam as memórias e os devaneios. Aos meus olhos caminho solitário.

No caminho, lembro do meu irmão. Ficamos juntos no campo. Ele me protegia do pesadelo, ou tentava. Acho que via em mim esperança. Ele, um pouco mais velho, entendia tudo. Sabia do provável fim. A esperança, porém. Resistimos bravamente, unidos, por um longo tempo. Aos meus olhos curto demais. Até o dia em que fomos chamados. Ele sabia o porquê. Me escondeu por debaixo dos beliches de madeira duros e sujos, envolvendo-me na coberta rala com a qual nos cobríamos. Não havia espaço para ele; era maior. Piscou para mim, como de costume, me deu um beijo na testa. Saiu pela porta, deixando-me no esconderijo que me havia preparado, só. Para sempre. Ele não voltou mais. A vida se desfaz como os sonhos. A esperança, porém, permanece. Esperança que ele me ensinou a ter. Para eles, os assassinos, se foi como vilão asqueroso e mau. Aos meus olhos era o herói, o mais valente e bondoso.

Caminho no meio da multidão uniforme, sem uniforme. Mas vivo. Sobrevivo. Até quando, não sei. Sem rumo, como quase todos. Aos meus olhos caminho solitário.

Olá! Estamos às vésperas de Pessach (a Páscoa judaica), e é sempre um momento para reflexão. Não, não vou postar uma reflexão aqui - costumo fugir dos temas esperados. Na verdade, procuro abordá-los de uma maneira diferente. E embora eu fuja dos temas esperados e às vezes mais “comentados”, às vezes brota naturalmente algo sobre eles. Do nada, na noite de ontem, refletindo sobre fatos recentemente ocorridos, brotou um poema, embalado por uma melodia triste, mas ao mesmo tempo inspiradora e portadora de esperança. Pessach. A liberdade. O anjinho. Chag Sameach.

Um anjinho em meus braços

Venha, meu anjinho

Eu a amparo

Protejo

Tomo em meus braços

Não deixo que caia

E abraço

Meu anjinho

Que não tem asas

Para voar

Venha, meu anjinho

Eu a seguro

Não tocará o chão

Mas voará comigo

Para um lugar seguro

Ouvirei o  som

Das suas gargalhadas

Meu anjinho

Porque para sempre e sempre

Será feliz

Como sempre foi

As lágrimas que hoje

Molham o rosto

Num lamento triste

Se tornarão

Em lágrimas de riso

Meu anjinho…

Ah, meu anjinho…

Se ao menos

Eu estivesse lá…

Uma ilha

Abril 13, 2008

Outros 1.500 anos depois, retorno ao blog, agora com um conto que já nem lembrava mais que tinha escrito - de fato. Lendo, nem reconheci que era meu, mas prestando atenção aos detalhes constatei que era mesmo. E ao ver a assinatura ao final, não tive mais dúvidas. Não lembro sequer se já havia postado no outro blog, mas se postei, já faz um bom tempo. Sim, estas coisas acontecem.

Abraços a todos, tenham uma ótima semana!

Uma ilha

Levanto. Mais um dia como os outros. Sinto nada. Somente aquele buraco. Angustiante, triste buraco, que me faz sangrar sem perder uma gota de sangue. Tomo meu café e como um pedaço de pão; mas a fome não passa. Escovo os dentes e minha boca continua suja. Tudo que está ali na verdade não está. Só eu.

Escolho as roupas para me vestir – não sei se ponho a blusa azul ou a verde. Tanto faz. Só eu vou notar. Poderia, se quisesse, usar blusa verde-limão, descombinando totalmente com a calça preta do uniforme, e também um pé de tênis de cada cor – um vermelho e um amarelo, por exemplo. Só eu me acharia ridículo. Poderia ir todo de preto e branco, ou cinza – talvez combinasse mais.

Na rua, nada. Que rua? Ela não está aqui. Eu estou. Estou num outro mundo, numa dimensão que não é a minha. Mas qual é a minha? Por que não tem ninguém aqui? A essa hora já deveria haver pelo menos uns poucos… Que hora? Nesse mundo, tudo parece ser mais lento.

Entro pelos grandes portões de ferro. No caminho, algumas árvores. Algumas pessoas. Tudo parece um sonho; enxergo meio embaçado, como se houvesse enormes colunas de fumaça em volta de mim. Terríveis. Sufocantes. Ninguém pode ou quer me ajudar. E eu, não consigo. Não posso ir contra o que sinto.

Na sala, pessoas vão e vêm. Quase me atravessam. Quero tocá-las, mas não consigo. Me sinto como um fantasma, só que sólido. Então eles devem ser os fantasmas. De qualquer forma, não podem me ver. São, como as outras coisas, feitos de sonho. Mas não do meu. Do mundo; deste mundo feito de vapor. Estou fora do lugar?

Volto. Não há ninguém. Faz muito frio. Me sinto cansado. Pego um cobertor e deito no sofá. O frio não passa. Fico horas deitado, mas o cansaço também não passa. Estou cansado de quê? É sempre assim. Todo dia. Todo demorado dia. E o buraco dentro de mim.

Por isso, eu sei, vai chegar o momento em que os meus dias vão se acabar, ou que o dolorido buraco vai me por um fim. Talvez seja o destino que escolhi para mim; que me foi escolhido. Mas quem sabe, algum dia, eu não encontre minha cura, e possa transformar esse mundo todo, ou boa parte dele, em um mundo de verdade. Enquanto isso, sigo caminhando, atravessando as paredes, as pessoas, e os limites do mundo de sonho, tão lento e tão frio. Só eu o percebo. Eu, sozinho.

Cidade-planeta

Março 28, 2008

Olá! Após uma semana especial (devido a uma festa especial), retorno à “atividade” com um conto (ou seria crônica?) para comemorar uma data especial. Trata-se do aniversário de alguém (especial) que eu conheço praticamente desde que nasci. Amanhã, dia 29 de março. Um abraço a todos! Mazel tov!

Cidade-planeta

Caminho pelo calçadão preto e branco, meditativo como sempre, mas um pouco mais atento do que de costume. Observo a multidão uniforme e solitária de pessoas passando por mim. As pessoas daqui não são como as dos outros lugares. As pessoas daqui não me olham no rosto; não me cumprimentam.

Espere! Eu também não o faço…

Dou uma olhada no céu e só vejo nuvens cinzentas. Nuvens sombrias e tristes.  Nada de sol. Nem deu as caras. O sol daqui também não é como o dos outros. O sol daqui não é, por exemplo, como o de Atenas. Se os gregos tivessem vivido aqui talvez não o temessem tanto, porque o sol daqui, pobre coitado, não vê quase nada. Passa a maior parte do tempo escondido atrás das nuvens, mais fortes. Como não pode vencê-las, dorme.

Vou abaixando a cabeça e noto que os prédios daqui também são diferentes. Diferentemente quadrados e diferentemente cinzentos. Pálidos. Tristes. Frios. Como o largo prédio da esquina, cheio de janelas, pelo qual passo. Este ainda se alegra em certa época do ano, mas depois volta à tristeza habitual.

Adentro na praça, que se confunde com o calçadão. As árvores são quase tão cerradas quanto as de uma floresta. Como as pessoas. Ouço os pássaros cantando; preparam-se para o descanso. Os pássaros daqui, de igual modo, não são como os dos outros (me lembro de ter ouvido algo parecido). Os pássaros daqui entoam melodias tristes, porém belas. Talvez apenas reflitam as pessoas, as nuvens, o prédio, a praça…

Este lugar realmente não é como os outros lugares. Triste e solitário, como as pessoas, as nuvens, os prédios, os pássaros; e por isso mesmo unicamente belo. Começa a escurecer. Hora de voltar. Pra quê? Deito no banco da praça e me ajeito por ali mesmo. Afinal não são todos os lugares que fazem com que eu me sinta em casa…     

Vida perdida

Março 16, 2008

Olá! Para essa semana, trago um novo poema, que eu já havia lido há algum tempo, do meu amigo Pedro Amaral. É bastante claro, levando em conta o significado das palavras, mas não menos reflexivo. Read and enjoy! Abraços e boa semana!

Vida perdida

Um velho sábio dizia
De mortes em vidas queridas
Não temes futuras partidas
De uma vida perdida
Que já se desfizera

Muitos planos frustrados
De tantas almas errantes
Que aparentam seres contentes
Mas são todos desprezados

Com muitos falsos olhares
De prazer, glória e riqueza
Mas quem tem toda a certeza
Ou tudo irá pelos ares…

Muitos são os planos dos homens
Mas o homem se faz divino
Por tentar controlar o destino
Que D’us não lhe dedicara

Uma nova vida começa
Enquanto outra termina
Sem ser vida perdida
O futuro não é ameaça
Para quem tem vida eterna

Amigo Único

Março 7, 2008

Olá! Para essa semana um continho simples (e humilde!) que escrevi já há algum tempo, alguns meses pelo menos. E de fato as aulas, já nos primeiros dias, vêm me dando certa inspiração, e por isso em breve devo aparecer com textos novos.. :D 

Abraços a todos!

Amigo Único

Benjamin não tinha muitos amigos. Só André. Era só com ele que conversava. Talvez porque André fosse o único que o entendia. Acordava cedo, e lá estava André.

- Quer café? - Benjamin perguntava.

- Sim, obrigado. - André respondia.

Servia-lhe um pouco de café.

- Quer pão?

- Não, obrigado. - Geralmente não comia pela manhã.

Benjamin ia para a escola. André não podia ir. Ainda não estava na idade, a mãe dizia. Benjamin voltava e corria dar um abraço em André. A saudade era grande.

- Vamos almoçar?

- Talvez. - Na hora do almoço isso significava “sim”. Era tímido.

Passavam as tardes inteiras juntos. Brincavam de tudo que podiam.

- Vamos brincar de bombeiro?

- Não sei…

- Que tal esconde-esconde?

- O que você acha? - André respondia às vezes com outra pergunta.

- Acho melhor não… Então de circo?

- Sim!

- Eu vou ser o mágico e você o palhaço!

Era a brincadeira mais divertida. Benjamin achava que era a preferida de André. Brincavam por horas, até anoitecer. Até se cansarem.

- Tá cansado?

- Não!

Mas estava. Benjamin sabia disso. Tinha de deixá-lo descansar. Do contrário, não teria com quem brincar e conversar no dia seguinte. Abraçava forte o amigo e, cuidadosamente, o colocava de volta na estante ao lado da cama, em meio aos brinquedos. Depois ia se deitar.  Antes que pegasse no sono, dizia:

- Boa noite, André. Durma bem.

No outro dia podia jurar ter ouvido a voz doce do ursinho desejando-lhe também uma boa noite, e que dormisse com os anjos.  

Olá a todos os ghosts! Nessa semana as aulas recomeçam (e a inspiração também!), e com isso, por incrível que pareça, devo estar postando mais no blog. Pra essa semana, um ótimo conto de Carlos Drummond de Andrade, publicado na coletânea Histórias para o rei, seleção de Luzia de Maria, publicada pela Record. Esse conto é divertido e diz muito… Abraço! E com vocês… Drummond!

A Incapacidade de ser verdadeiro

Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões-da-independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas.

A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias.

Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:

- Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia.