Reins

Novembro 5, 2009

Olá ghost readers! Passando rapida e clandestinamente apenas para deixar mais um esboço de poema(?) que me surgiu após determinadas situações. Pode parecer sem sentido e/ou simples demais (embora de fato o seja), mas, acreditem, tem um fundo de reflexão. Um ótimo resto/fim de semana a todos!

Dear ghost readers, I’m glad to know that I’ve had some ghosts from different places reading my humble (and scarce) stuff. That’s why I decided to make an effort in order to have kind of an English version of the blog – though I’m afraid I’ll not be able to translate the short stories, etc., due first to a lack of time, and also to a lack of ability. But I’ll try, I promise.

The following poem (or something like) is simple, as usual, but it’s just a result of a concern about… well, whatever. Don’t try to understand it – I myself haven’t been able to do so. Enjoy! Nice weekend!

 

 

Reins

Reins are being

tightly kept

on the horses’ heads

Enslave their thoughts

Hold their mouths

In your hands.

Brócolis

Outubro 9, 2009

Olá, ghost readers! Ainda em período de semi-inatividade (provocado por alguns diversos e relevantes fatores) e tentando emergir de um hiatus criativo, têm sido raros os momentos em que sento – paro e penso – para escrever algo, e por isso o blog segue às moscas (e é possível que assim permaneça por mais algum tempo).

Certo, talvez esse breve depoimento ficasse melhor no Twitter – se eu tivesse um. Por falar no dito cujo, aliás, reparei que ele tem se transformado num polêmico troca-farpas online. Celebridades – atores, cantores, esportistas e companhia – utilizam-se do já consagrado Twitter, um espaço na web a ser aproveitado para algo que se assemelha a um diário (mas com frases ou textos curtos, diferentemente de um blog), para, entre outros, trocar afrontas, fazer críticas veladas (ou não tão veladas) e dizer o que pensam (?), independente do que seja, sem qualquer tipo de censura. E quando brota um arranca-rabo online entre celebridades, algo já bastante comum, o povo faz festa. Sim, o povo, a ralé, a plebe ignara (permita-me a apropriação do termo, caro diretor). Afinal, quem não curte um bom bate-boca, ainda mais envolvendo famosos, mesmo que seja na net? E quanto mais vulgar, melhor. É como brócolis – o sal faz toda diferença (devo supor).

E é dele, do brócolis, não do Twitter, que trata um dos contos que escrevi. Não há realmente uma relação clara entre ele e o desabafo acima, mas sei que lá no fundo, talvez bem no fundo, todas as coisas estão interligadas. Basta refletir um pouco. Um ótimo fim de semana – e feriado (graças!) – a todos!

Brócolis, a revolução verde

Herval era homem do campo, trabalhador rural. Nascera no cafezal; fora criado entre os milharais. Desde cedo, com o pai, colhia os feixes dourados do trigo; alfaces esmeralda; abóboras gigantes. Tinha tudo o que queria até que, num instante, veio o triste dia. A plantação secou; lucro já não rendia. Cansado da vida, Herval proclamou:

- Vou para a cidade, buscar alegria. Digo, com sinceridade: o tempo do campo já passou.

Arrumou as trouxas e foi, uma lágrima nos olhos ao despedir-se do boi. Não mais o veria. Sem olhar para trás, rumou com esperança em direção à cidade cinzenta, ainda que assustado, tal qual uma criança. Apesar do tormento, a chance de um recomeço. Herval, sorria!

Foi trabalhar numa fábrica de embalagens, perído integral. Para dormir, um canto qualquer numa estalagem. Achou que, a princípio, não lhe faria mal. Os meses, porém, foram passando e Herval se cansando – a vida na cidade não era como no campo. Queria voltar, mas já não podia. O salário era parco e só pagava a moradia. Cansado da vida e farto da vista, da cor, do som, do gosto da cidade, adoecido, Herval morreu.

- Morreu?? Como assim? O que aconteceu? – exclamaram os colegas de trabalho, espantados.

- Antes ele do que eu… – sussurrou Juvenal, dentre eles o mais lustroso, o que a notícia havia dado.

Fora ele mesmo, Juvenal, quem encontrara morto o pobre Herval. Um susto, de início; passou rápido. Tomou a carteira do bolso do falecido e saiu, sem deixar nenhum indício. Não ficou contrariado ao não achar nenhum centavo; esperto que era, sabia que uma chance lhe havia surgido.

- Vou mudar de vida! Quero ver quem se mete comigo!

Mudou de cidade. E de nome: não era mais Juvenal; agora era Herval. Não só no nome; era ele próprio o Herval que nascera e crescera na roça. Mudou, também e porém, parte da história – não viera à cidade como escória. Chegou em carroça puxada aos trotes, castigando os lombos do cavalo fracote. Viera para mudar.

Parou a carroça na frente de um enorme edifício no qual funcionava o escritório de uma grande empresa. Sob olhares curiosos da gente que passava, estendeu uma faixa na calçada. Nela, em letras verdes, garrafais, as seguintes palavras:

“A indústria que se arrebente; salve o meio ambiente!”

Não bastasse a faixa, começou a gritar, aos quatro ventos, seu suposto lamento. Por certo não perderia tempo; poria logo as cartas na mesa. Chorou ao recordar as árvores frondosas, o som dos pássaros que nelas cantavam, a beleza das águas cristalinas, o aroma suave das rosas. As matas, as matas, as matas… Oh! Todas devastadas…

Não demorou muito, formou-se ali, ao redor, um aglomerado de pessoas. A coisa ficava melhor, ele pensou; notou que a ideia era boa. Gesticulou, bradou, esbravejou, quase que numa dança frenética. Não se intimidava em fazê-lo; sabia – e bem – que podia contar com a ética. Ninguém tentou tirá-lo de lá, apesar dos protestos. Pelo contrário – ganhou fama em excesso. A mídia logo apareceu, e em poucos minutos, Juvenal, agora Herval, já era praticamente um deus.

Ganhou o apoio de vários migrantes, identificados com a causa. Além deles, mestres e estudantes, todos em prol da revolução verde. A luta não cessaria; não haveria pausa. Faria protestos em rede: protesto na linha do expresso, protesto na praça do bairro, protesto na rua, protesto na lua. Protesto! Protesto na lanchonete, lá dentro: parem com o desmatamento! Com tantos protestos e muitos progressos, Juvenal, que era Herval, enriqueceu. Fundou uma organização, dando-lhe um nome que agradaria a todos, afinal: Brejeiros Rebeldes Organizados e Comprometidos com a Ordem Local e o Interesse Social. No dia da fundação, um marcante pronunciamento:

- Camaradas irmãos, façamos revolução!

O tempo foi passando, três meses, seis meses, dez meses, um ano – e com ele a onda do verde. Não para Juvenal, ou Herval, ou qualquer que fosse seu nome. De rico passou a pobre, mas não desprezou os ideais. Disseram tê-lo visto em uma praça, lá em Prudentópolis, gargalhando e dizendo, ao encarar uma parede:

- Ha! Transformei o mundo num grande brócolis!

Depois, não se viu mais.

Dream

Setembro 28, 2009

Olá ghost readers, segue um post a não ser lido (e estou certo de que não precisarei me preocupar muito com isso, visto que o blog se encontra ‘às moscas’ já há algum tempo). O singelo projeto de poema a seguir trata, apenas, da vida, da tão simples e tão complexa vida. Uma boa semana a todos.

Dream

Don’t dream
For if you dream
You’re gonna scream
You’re gonna cry
You’ll see it die
Dream

Keep it

Don’t dream
We’re not supposed to
It’s just water spilled
‘Cause dreams are made to kill
You
Dream

Dreaming

Don’t dream
‘Cause dreams are made to be broken,
Forgotten, forsaken,
Torn apart
Dreams are lies
Dream

‘Till the end. (…

Chicken a la Carte

Junho 3, 2009

Olá ghost readers (more than never)! Recebi ontem, por e-mail, a indicação de um filme, lançado há pouco tempo, que promete arrasar nas telas do mundo todo e tornar-se um sucesso de bilheteria – Chicken a la Carte. Embora o filme trate, como muitos outros blockbusters atuais, de uma história baseada em fatos reais, acreditem, ele tem um grande diferencial. E é por isso que ele promete – e muito!

E o melhor de tudo, meus amigos – ele já está disponível na internet. Certo, eu sei, eu sei, também não sou a favor desse tipo de coisa. Respeito os direitos autorais. Eu mesmo não gostaria que minhas singelas obras fossem espalhadas por aí – sem que, é claro, eu recebesse os devidos créditos. Mas, podem confiar, o endereço no qual se encontra disponível a versão integral do filme é totalmente legal!

Portanto, não percam mais tempo! Cliquem no link abaixo e assistam, de antemão, o novo sucesso dos cinemas – Chicken a la Carte. Uma história emocionante! Enjoy it! Abraços, e um ótimo fim de semana!

http://www.cultureunplugged.com/play/1081/Chicken-a-la-Carte

Obs.: não se trata de vírus; mais uma vez, podem confiar: o filme (um curta) está integralmente disponível no site   ;)

Headphones

Maio 15, 2009

The Long Fall Back to Earth (2009)

The Long Fall Back to Earth (2009)

O novo trabalho da banda Jars of Clay, The Long Fall Back to Earth, lançado no último 24 de abril, não surpreende. Já no último álbum, Good Monsters (2006), as músicas vieram com qualidade impecável, mas principalmente – e no caso o que mais me chamou a atenção – havia uma postura crítica presente de maneira bastante inteligente nas composições de Dan Haseltine e companhia. Felizmente, a banda parece ter se decidido a manter a mesma postura no novo CD – além da qualidade da música.

Ao ouvir algumas vezes “Headphones”, uma das canções de The Long Fall Back to Earth, posso dizer que é uma das mais inteligentes que já ouvi, ao lado de “Good Monsters”, do álbum anterior. Por isso posto aqui a tradução da letra da mesma, e desafio os ghost readers a entenderem a mensagem. Não é difícil; basta prestar atenção e refletir.

Tentei encontrar a música no Youtube para por aqui, mas por incrível que pareça (ou não) é uma das únicas do cd que ainda não estão por lá (por que será?…)  Um bom fim de semana!

Fones de ouvido

Eu não tenho que ouvir isso, se eu não quiser

Eu posso encobrir isso, derrubar as cortinas em você

É um mundo cruel, é muita coisa pra eu me preocupar

Se eu fechar os meus olhos, ele não está mais lá

Com meus fones de ouvido ligados, com meus fones de ouvido ligados

Nós assistimos  televisão… mas o som é outra coisa

Apenas uma música tocada em contraste ao drama, e por isso a ferida nunca é sentida

Eu entendo as guerras, e congelo com os eventos atuais

É tão desesperador, mas tem uma canção pop nos meus

Fones de ouvido ligados, nos meus fones de ouvido ligados, com meus fones de ouvido ligados, com meus fones de ouvido ligados

No túnel do metrô, você se senta na minha frente

(Eu posso te ver olhando pra mim)

Eu acho que conheço você

Pelos olhos tristes que vejo

Eu quero te contar (É um mundo cruel)

Tudo ficará bem

Você não daria ouvidos a isso (Eu não quero ter que ouvir isso)

E então seguimos nossos caminhos separadamente…

Com nossos fones de ouvido ligados

Eu não quero ser aquele que tenta entender isso

Eu não preciso de um outro motivo pelo qual deva me preocupar com você

Você não quer saber da minha história

Não quer sentir a minha dor

Vivendo em um mundo tão, tão cruel

Mas tem uma canção pop na minha cabeça

(Em meus fones de ouvido ligados)

Não quero ter que ouvir isso

(Com meus fones de ouvido ligados)

Eu não quero ter que ouvir isso

Visita nada ilustre

Abril 30, 2009

Mahmoud Ahmadinejad

Mahmoud Ahmadinejad

A visita do presidente iraniano ao Brasil continua causando polêmica (e estaria ainda mais caso a mídia não tivesse agora um assunto bem mais bombástico para tratar). Não é para menos. Já há tempos, Mahmoud Ahmadinejad vem dando declarações polêmicas a respeito do Estado de Israel e, especialmente, do Holocausto – pondo em dúvida a importância ou mesmo a existência do mesmo. Mas quem é de fato Ahmadinejad, e com que autoridade tem dito tais coisas, chegando a utilizar-se até mesmo de uma assembleia da ONU como seu púlpito?

Segue, de maneira resumida, o currículo do sujeito:  o Irã de Ahmadinejad é hoje um dos países que mais desrespeita os direitos humanos; o governo de Ahmadinejad segue discriminando e perseguindo as minorias no país; o Irã vem investindo no desenvolvimento de armamentos nucleares – e pergunto-me como tais armamentos podem ser usados para fins “pacíficos”, como declara o governo iraniano;  Ahmadinejad criticou tanto o Cristianismo quanto o Judaísmo, proclamando o Islã como “a única religião capaz de salvar a humanidade”, numa tentativa clara de estimular a “guerra” religiosa.

Repito a pergunta postulada no início, agora de maneira mais completa: com que autoridade Ahmadinejad chama o Estado de Israel de “nazista”, pondo-se como o grande defensor da “causa palestina” (e questiono-me por que então não ajuda seus “irmãos” oferecendo-lhes parte de sua terra ), uma vez que seu próprio governo persegue de maneira feroz, e por motivo não outro senão religioso, as minorias de seu país? Por que o sr. Ahmadinejad não fala sobre isto em seus “aclamados” discursos? Com que autoridade Ahmadinejad minimiza a tragédia do Holocausto, dadas as inúmeras provas documentadas e testemunhas oculares? Por acaso estava ele lá, de mãos dadas com o führer? Tivesse nascido alguns anos antes, não seria de se estranhar…

Sim, este é o homem que estará em breve “visitando” nosso amado e pacífico país. Este é o homem que nossos governantes receberão com honrarias das quais, como deve estar claro, ele não é digno. Este é o homem que fez com que representantes de vários países se retirassem da assembleia da ONU, apenas para não ouvir seu discurso xenófobo. E, quem dera, pudéssemos nós, brasileiros, fazer o mesmo assim que o avião de Ahmadinejad tocasse nosso solo. Já que não é possível, limitemo-nos às faixas e a nossas vozes. E, quem sabe, tomates.

Olá a todos! Nesta semana que passamos pela data de recordação da Shoah (Holocausto) e que nos aproximamos da celebração de Yom Haatzmaut, o dia da independência do Estado de Israel (que se dará na próxima quinta-feira), posto aqui um pequeno e interessante comentário do diplomata Luiz Felipe Lampreia sobre a iminente visita do presidente iraniano, que há muito tem se posicionado contra Israel, chegando ao cúmulo de negar o Holocausto (e sobre isso ainda devo escrever) e utilizar-se de uma assembleia da ONU como tentativa de difundir suas ideias excusas. Sobre o texto abaixo, nada a acrescentar – concordo plenamente com ele. Um bom fim de semana!

Por que convidar Ahmadinejad?

Luiz Felipe Lampreia

O presidente do Irã é um dos mais perigosos atores da cena internacional. O espetáculo lamentável de seu discurso de ontem na conferência da ONU de combate ao racismo é prova de que Mahmud Ahmadinejad não é pessoa que se frequente. Durante meses,os delegados dos países membros discutiram o projeto de comunicado da conferência e haviam conseguido retirar afirmações controversas sobre Israel.Veio porém o líder iraniano destilar seu veneno no pódio de Genebra, com um sorriso de escárnio na boca, provocando a retirada do plenário de dezenas de diplomatas que não puderam tolerar a espetáculo. O próprio Secretário Geral da ONU , normalmente muito contido, sentiu-se indignado e afirmou que “nunca tinha assistido a este tipo de comportamento destrutivo numa assembléia, numa conferência, por qualquer país membro. Lamento o uso desta plataforma pelo presidente iraniano para acusar, dividir e até incitar.” O comportamento do presidente iraniano é tanto mais inaceitável quanto seu país é notório por praticar discriminação racial, perseguição religiosa e intolerância com minorias. Desde sua posse, Ahmadinejad tem-se notabilizado por atitudes agressivas. Às vésperas de uma eleição em que busca um segundo mandato, terá achado oportuno recrudescer. Pois bem, este é o próximo presidente a visitar o Brasil.Como poderá o presidente Lula, cujas credenciais democráticas são indiscutíveis, conviver com uma pessoa desse nível? Como justificar a presença em nosso país de um homem que prega valores e ações em tudo contrários aos nossos? Como explicar à comunidade internacional que o Brasil hospedará um líder que é descrito pelo Secretário Geral da ONU com as palavras acima citadas? Seria muito oportuno que o presidente Lula alegasse uma gripe ou coisa assim para desmarcar a visita deste sinistro personagem, cuja visita só pode trazer prejuízos ao Brasil.

# Luiz Felipe Lampreia é diplomata de carreira e foi ministro das Relações Exteriores de 1995 a 2001

Incessante giro

Abril 14, 2009

Olá! Após séculos, milênios de ausência, hoje, 14 de abril de 2009, este humilde ghost writer retorna a este humilde ghost blog, atendendo aos inúmeros pedidos dos humildes ghost readers.

Posto hoje um poema que surgiu de uma “brincadeira”, num desses dias quase banais, não fosse pelo local onde me encontrava, pela companhia e pelo fato de ser férias. Apesar da origem, acabei achando-o simpático, e um tanto mais reflexivo do que eu de fato achava que ficaria antes de tê-lo escrito. Entretanto, não deixa de ser uma ‘brincadeirinha de roda’ com a composição – mas uma brincadeirinha educativa produtiva. Uma ótima semana a todos!

Incessante giro


O planeta gira, gira sem parar

Gira, gira, planetinha

Caminha

No sistema solar.

Um metoro aqui, um lá

Na galáxia vizinha

Coitadinha

Um negrume a avançar.

Quer parar, sim, quer parar

De girar o planetinha

Palhinha

Do que está pra chegar.

Mas não há de se apagar

O brilho da estrelinha

Sozinha

O planeta a iluminar.

Gira, gira planetinha

Gira agora sem parar

Ao redor da estrelinha

Que pra sempre irá brilhar.

Pois já sabe ele que mesmo em meio à chuva de meteoros ou na escuridão mais profunda, resplandecerá a luz e se espalhará o calor da estrela que o motiva a girar, girar, girar…

O conflito

Janeiro 12, 2009

Pergunto-me por quê o período de férias sempre redunda em “férias criativas” – no sentido de que a criatividade parece igualmente tirar férias durantes esses meses  (embora eu esteja me dedicando quase que exclusivamente agora a um livro).

Por essa razão, o post de “reestréia” do blog, o primeiro desse ano de 2009, não é exatamente de minha autoria, mas reflete perfeitamente o que penso a respeito do polêmico atual conflito no Oriente Médio, a guerra Israel x Hamas. E, sim, enfatizo que minha opinião – e não apenas por minhas origens,  que fique claro – caminha na direção contrária à da grande maioria seguidora fiel da mídia sensacionalista.

Abraços a todos, um ótimo 2009,  e, aqueles que podem, aproveitem bem suas férias!

O conflito – kinder…

crianças palestinas

crianças palestinas

Buraco negro

Outubro 26, 2008

Olá! Retornando após um novo e breve período (isso já está se tornando repetitivo, por isso mudarei o próximo termo) de inércia, nos mais variados sentidos possíveis, mas especialmente no que nos interessa, o “literário”. O período dos chagim – feriados judaicos, no caso, Rosh Hashana, Yom Kipur e Sukot – é de profunda reflexão, e é engraçado como nestes dias a “inspiração” dá lugar a outro tipo de sentimento. Bem, é assim mesmo que deve ser…

Para mais sobre os feriados judaicos a que me referi, visite:

http://www.chabad.org.br/datas/index.html

Para a semana (posterior ao último dia de Sukot), um conto – novo. A volta da inspiração e da rotina, mas já no novo ciclo. Uma ótima semana, e um 5.769 bom e doce!

Buraco negro

Adam saía escondido de casa todas as noites. Subia apressadamente a colina no fim da rua, carregando consigo uma mochila com alguns poucos objetos – uma garrafinha com água, um pacote de biscoitos, um binóculo e uma lanterna. Vez ou outra olhava para trás, apreensivo. Não devia ser visto; perderia a graça. Perderia a magia. Naquelas noites, não poderia haver mais ninguém na colina além dele – e de Uri.

Uri era um garoto especial. Diferente. Às vezes, quando Adam chegava ao topo da colina, Uri já estava lá. Ou então aparecia pouco depois, mas nunca se atrasava. Adam não sabia de onde ele vinha, nem sequer onde morava. Não importava. Uri estava sempre ali, todas as noites. Isso sim era importante. Deitavam-se no gramado macio, um ao lado do outro, as mãos sob a cabeça servindo de travesseiro. Sorridentes, punham-se a conversar e a observar, dividindo o binóculo, as milhares de estrelas que enchiam o céu e iluminavam a noite. Adam também dividia com o amigo os biscoitos e a água. Passavam horas ali. E quando Adam descia a colina, com a lanterna acesa na mão (só então ele a acendia), e voltava para casa, já era quase madrugada. Uri descia pelo outro lado, ou dizia que ficaria mais um pouco lá em cima. Ele não precisava de lanterna. E assim era. Sempre.

Os meses, porém, passaram rápidos e vagarosos como as nuvens. Uri já não aparecia todos os dias. Disse que estava doente. Adam, contudo, continuava a subir a colina, embora deixasse de ir um dia ou outro. Deitava-se no gramado, sozinho mesmo, deixando a lanterna acesa ao seu lado por alguns instantes, enquanto comia os biscoitos e bebia a água. Olhava para o céu e notava que algumas das estrelas que gostavam de observar, as mais belas, haviam desaparecido. Já não se via mais seu brilho. A cada noite, mais estrelas sumiam. No lugar delas, pontos negros e vazios. Adam, desapontado, descia a colina, muito mais cedo do que quando tinha a companhia de Uri.

Com os meses, os anos também passaram – poucos, dois, quase três. Uri nunca mais apareceu. Adam não sabia para onde ele fora. Talvez nunca viesse a saber. Entretanto, manteve-se fiel à rotina, ainda que com menos freqüência – duas ou três vezes por semana. Até o dia em que já não havia mais nenhuma estrela no céu. Todas, sem exceção, tinham se apagado. O céu agora era nada mais que um manto escuro, um tanto sombrio. Adam sentiu medo; precisou manter a lanterna acesa durante todo o tempo em que permanecia ali, naquela última noite. Voltou para casa, desiludido. No dia seguinte lhe disseram que as estrelas haviam sido tragadas por um enorme buraco negro. E alguns anos mais tarde ele já se perguntava se algum dia elas realmente haviam estado lá…